Seu cabelo sabe o que você come, dizem estudos

Sua dieta pode refletir diretamente nos fios

Cabelos podem revelar detalhes sobre a dieta de cada um
Cabelos podem revelar detalhes sobre a dieta de cada um Foto: Pixabay

Katie Hunt

da CNN

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Você é o que você come, diz o ditado. Mas poucas pessoas supeitam que as escolhas na dieta são refletidas, centímetro por centímetro, nos cabelos que crescem na sua cabeça.

Suas madeixas podem, potencialmente, mostrar se você prefere vegetais ou produtos de origem animal, sugere uma nova pesquisa.

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Estudiosos da Universidade Utah, nos EUA, coletaram fios de cabelo descartados em barbearias e salões de beleza de 65 cidades norte-americanas. A partir dos traços químicos nos cortes, os cientistas descobriram que as dietas americanas são dominadas por proteínas presentes em carnes e laticínios.

Esse tipo de análise dos cabelos pode ser uma ferramenta útil para acessar um padrão de alimentação e de riscos à saúde causados por ela, dizem os pesquisadores.

“A chave do estudo é que, potencialmente, poderemos identificar padrões regionais, nacionais e temporais de hábitos alimentares com essas observações”, disse James Ehleringer, autor líder da pesquisa e professor distinto na Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Utah.

Nós comemos muita carne

Mas como exatamente é possível determinar dietas através de mechas de cabelo? Variações em isótopos de carbono encontrados em cabelos podem refletir aqueles encontrados em diversos alimentos, afirmou Ehleringer – tanto ingeridos diretamente ou pela alimentação do animal consumido.

O estudo, publicado nesta segunda-feira (3) na revista científica PNAS, descobriu que proteínas derivadas de animais, como as encontradas na carne e em laticíneos, contabilizavam 57% das dietas nos Estados Unidos, em média.

Dietas ricas em proteínas, em oposição àquelas baseadas no consumo de vegetais, são associadas a grandes riscos de doenças como cardiopatias, afirma o estudo, citando pesquisas já existentes.

“Como as fast-foods são fontes significativas de proteína animal alimentada com milho, não é incoerente assumir que uma parte significativa das proteínas animais são comidas fora de casa”, disse a pesquisa.

Enquetes recentes mostram que pelo menos um quarto das crianças e dos adultos nos Estados Unidos consomem fast food diariamente.

A análise também sugere que a proporção de proteína animal que as pessoas comem é maior em áreas com um status socioeconômico menor, como apurado através dos custos de vida e informações tributárias, locais onde as proteínas somavam aproximadamente 75% das dietas.

Em Salt Lake City, onde os pesquisadores conseguiram informações mais detalhadas, o estudo usou dados de carteiras de habilitação para calcular tendências de massa corporal em áreas restritas. Os autores perceberam que as proporções de isótopos refletem uma porção maior de proteína na dieta estar relacionada à obesidade.

Existe ainda uma associação entre o custo de um corte de cabelo e os isótopos de carbono nas madeixas – nas áreas onde os fios possuíam mais proteína animal alimentada com milho, os cortes eram mais baratos.

“Nós não tínhamos imaginado que poderia ser possível estimar o custo médio que um indvíduo pagou pelo seu corte de cabelo através dos valores de isótopos de carbono”, afirmaram os pesquisadores

Esforço científico

Os proprietários de barbearias e salões apoiaram o esforço dos cientistas, afirmou Ehleringer.

“Eles permitiam que nós fôssemos até as latas de lixo e tirássemos uma mão ou duas cheias de cabelo, o que nós dividíamos então em porções identificáveis, representando indivíduos”

O líder da pesquisa também desenvolveu um tipo similar de análise dos cabelos para detectar onde aquela pessoa esteve, como um resultado dos isótopos na água que bebem, das quantidades de isótopos de oxigênio e hidrogênio presentes na água de acordo com a geografia.

É uma ferramenta em potencial para a investigação de crimes, nas tentativas de identificar um corpo ou localizar criminosos.

O estudo nas barbearias e salões foi baseado em amostras de cabelos de 684 pessoas. O tamanho das amostras, Ehleringer afirma, foi suficiente para sugerir que existe um padrão e estudos mais profundos precisam ser feitos.

“Essas medidas não são tendenciosas por recordações individuais da dieta de cada pessoa. A medida pode ser usada para entender escolhas dietéticas entre grupos etários diferentes e grupos socioeconômicos diferentes”, avaliou.

 

 

 

 

 

 

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