"Six-seven": meme "brain rot" traz pertencimento longe do mundo adulto
Gíria faz jovens se sentirem inseridos em contexto social

Uma expressão que não vem de lugar nenhum, mas está em todo lugar. A trend “six seven”, que não deixa a boca de crianças e jovens, saiu das redes sociais e vem tomando espaço em interações em salas de aula e familiares.
É balançando as mãos para cima e para baixo, falando “six seven”, a pronúncia em inglês para os números seis e sete, que a geração mais nova vem repercutindo o meme do momento.
Por meio dessa interação com uma expressão que não tem uma origem exata, as crianças se conectam umas às outras. "Essa gíria faz parte do ‘brain rot’, que é o apodrecimento ou o esvaziamento cerebral, porque não tem um significado. Mas é aí que está a graça para eles. Nem tudo vem do mundo adulto com algum significado, algum raciocínio lógico", diz a psicóloga Cristina Borsari, coordenadora de psicologia do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo.
Por outro lado, o uso de expressões brain rot, como essa, pode estar atrelado ao uso abusivo de telas de celulares.
Para a psicóloga, é importante que os pais e educadores tentem se inserir no mundo dos jovens para entender a origem das novas expressões e investigar se há envolvimento com bullying, cyberbullying ou, até mesmo, crimes.
Já para Ariadne Catanzaro, que trabalha como coordenadora de inglês no Colégio Liceu Pasteur Start Anglo, esse tipo de manifestação é comum.
"Não entendemos esse tipo de fenômeno como um problema, mas sim como algo natural do universo de crianças e adolescentes. Se não for esse meme, será outro — faz parte da cultura deles", explicou. "Nosso papel, nesses casos, é conduzir a situação com equilíbrio e leveza, garantindo que o ambiente de aprendizagem continue produtivo, ao mesmo tempo em que respeitamos essas manifestações típicas da faixa etária."
Como surgiu o meme?
O meme pode ter diferentes origens. Na música viral "Doot Doot (6 7)", do rapper dos Estados Unidos Skrilla, na altura do jogador de basquete americano LaMelo Ball, que mede quase dois metros (ou 6 pés e 7 polegadas), ou em um vídeo de um menino que acompanha um jogo de basquete e fala os numerais de maneira animada para a câmera, movimentando as mãos.
“Não vejo nada de desfavorável, a não ser o ‘brain rot’. Quando os adultos brincam e fazem o ‘six-seven’ eles criam uma conexão com o filho”, complementa a psicóloga Cristina Borsari.


