Sobrecarga no sistema de saúde deve se intensificar pela Ômicron, diz médica

Luana Araújo explica que a falta de testagem pública lota emergências hospitalares com casos de influenza e Covid-19 apenas para diagnóstico das doenças

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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A médica infectologista e epidemiologista Luana Araújo afirmou, nesta terça-feira (4), em entrevista à CNN, que a sobrecarga no sistema de saúde deve se intensificar pelo avanço da variante Ômicron do coronavírus.

A Ômicron é mais contagiosa e pode causar doenças mais graves para os não vacinados e enfraquecer o sistema de saúde, segundo especialistas. Na terceira semana de dezembro, a variante era responsável por  73,2% dos novos casos de coronavírus nos Estados Unidos.

“[A variante Ômicron] já chegou. A gente na prática está vendo isso acontecer com um aumento absurdo do número de casos e uma positividade no sistema privado que é quem está conseguindo testar isso com um pouco mais de acuidade dentro de sua capacidade”, explicou Luana.

“Alguns lugares já estão sobrecarregando seus hospitais com casos. Tem uma sobrecarga do sistema em um todo. Como não temos testagem pública, as pessoas vão às emergências para testar. Eu inundo as emergências pelo país com casos de influenza e de Covid simplesmente para as pessoas serem testadas. Essa sobrecarga deve se intensificar, mas é preciso que avancemos na vacinação”, continuou.

Consulta pública para vacinação de crianças entre 5 e 11 anos

Na opinião de Luana, a consulta pública do Ministério da Saúde para avaliar a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos deveria ser desconsiderada, por representar um viés político. A maioria dos votantes foi contra a prescrição médica para a imunização da faixa etária.

“Honestamente, eu desconsidero por completo o resultado dessa consulta pública, porque ela foi feita de uma maneira completamente enviesada e desconectada da realidade. As pessoas votaram sem saber no que elas estavam votando, quem conseguiu votar. Muita gente não conseguiu fazer isso.”

“Essa é uma decisão técnica que não cabe em uma consulta pública. Foi uma decisão técnica tomada pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], que é o órgão responsável por isso. E uma vez aprovada, ela deveria ser ofertada como um direito à saúde que a população nossa tem, e isso está em lei.”

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