Somente a vacinação não é suficiente para impedir a propagação de variantes

Em estudo publicado na Nature Scientific Reports, cientistas afirmam que as pessoas precisam usar máscaras e tomar outras medidas para evitar a propagação

Sequenciamento genômico do novo coronavírus realizado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)
Sequenciamento genômico do novo coronavírus realizado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Foto: Josué Damacena (IOC/Fiocruz)

Maggie Fox, CNN

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A vacinação por si só não vai impedir o surgimento de novas variantes e, de fato, pode impulsionar a evolução de cepas que fogem de sua proteção, alertaram pesquisadores nesta sexta-feira (30).

Os cientistas afirmaram que as pessoas precisam usar máscaras e tomar outras medidas para evitar a propagação até que quase todas as pessoas em uma população tenham sido vacinadas.

As descobertas, publicadas na Nature Scientific Reports, apoiam a nova decisão do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos de aconselhar até mesmo pessoas totalmente vacinadas a começarem a usar máscaras novamente em áreas de transmissão contínua ou alta.

“Quando a maioria das pessoas é vacinada, a cepa resistente à vacina tem uma vantagem sobre a cepa original”, disse a repórteres Simon Rella, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria, que trabalhou no estudo.

“Isso significa que a cepa resistente à vacina se espalha pela população mais rapidamente em um momento em que a maioria das pessoas está vacinada”.

Mas se as chamadas intervenções não farmacológicas forem mantidas – como o uso de máscaras e o distanciamento social – o vírus terá menos probabilidade de se espalhar e mudar. “Há uma chance de remover as mutações resistentes à vacina da população”, disse Rella.

As descobertas sugerem que os formuladores de políticas devem resistir à tentação de suspender as restrições para celebrar ou recompensar os esforços de vacinação.

É provável que isso seja especialmente verdadeiro com uma variante mais transmissível, como a variante Delta, disse Fyodor Kondrashov, também do Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria.

“Geralmente, quanto mais pessoas são infectadas, maiores são as chances de surgimento de resistência à vacina. Portanto, quanto mais a Delta é infecciosa, mais motivo de preocupação”, disse Kondrashov a repórteres. “Por ter uma situação em que você vacina todo mundo, uma mutação resistente à vacina realmente ganha uma vantagem seletiva.”

As pessoas não devem reclamar, disse ele. “O indivíduo que já vacinou e colocou uma máscara não deve pensar que isso é inútil, mas deve pensar que existe uma cepa resistente à vacina circulando por aí”, disse ele.

Texto traduzido, leia o original em inglês.

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