SP passa de 3 mil mortos por COVID-19; Doria diz que vai decretar luto oficial

Segundo o governador, o índice de isolamento social ontem (5) foi de 47% no interior e 48% na capital, bem abaixo dos 70% recomendados por autoridades de saúde

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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quarta-feira (6) que vai decretar luto oficial a partir de amanhã (7), depois que o estado registrou mais de 3 mil mortos pela COVID-19. Segundo Doria, o luto oficial vai vigorar "enquanto a pandemia perdurar".

"Será um gesto de solidariedade aos familiares dos que perderam suas vidas", disse o governador.

O secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, voltou a alertar que ficar em casa significa se salvar. Segundo ele, até esta quarta-feira, São Paulo registrou 3.045 mortos por COVID-19 e 37.845 casos do novo coronavírus.

"Isso vai passar, nós vamos vencer, mas nós precisamos tomar muito cuidado, porque nós estamos brincando com a sorte", afirmou.

De acordo com Doria, a capital e a região metropolitana de São Paulo continuam sendo o epicentro da pandemia, mas o vírus está se espalhando pelo interior e o litoral.

Isolamento em SP

Doria informou que os níveis de isolamento social no estado continuam muito abaixo do patamar de 70% recomendado por autoridades de saúde. Segundo o governador, nesta terça-feira (5), o índice ficou em 47% no interior e 48% na capital.

"Nós temos dito e repetido aqui que nenhuma medida de flexibilização de isolamento social será adotada no estado de São Paulo se não tivermos a média [de isolamento] entre 50% e 60%", disse Doria. "Infelizmente, não estamos alcançando essa média."

Segundo o governo paulista, no momento, o monitoramento é feito com base em dados de telefonia móvel referentes a 104 cidades que têm mais de 70 mil habitantes.

O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, David Uip, reiterou que só o isolamento social pode frear o avanço do coronavírus. Segundo Uip, para que a capacidade de atendimento do sistema de saúde seja mantida diante da velocidade da pandemia, o isolamento precisa estar em no mínimo 55%.

"Nós estamos mantendo médias durante a semana que não ultrapassam 47%", disse Uip. "A única arma que temos é o isolamento social. É absolutamente fundamental que a população continue se sacrificando."

Lockdown

Doria foi questionado pela imprensa se o baixo nível de isolamento social poderia levar a um lockdown em todo o estado, mas o governador disse que a definição sobre isso será anunciada na sexta-feira (8).

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Segundo Uip, as taxas de isolamento social não são o único parâmetro observado pelo governo na hora de determinar medidas de combate à pandemia do novo coronavírus. Também estão sendo levados em conta, disse, a taxa de infectividade (quantas pessoas podem ser infectadas por um paciente da doença); o número de pessoas que já têm anticorpos contra a COVID-19; e a quantidade de leitos de enfermaria e UTI.

Germann informou que a taxa de ocupação de UTIs no estado se manteve em 67%. Na Grande São Paulo, continuou em 86%. Há cerca de 8.500 pessoas internadas com casos suspeitos ou confirmados, e a fila de testes está zerada, afirmou o secretário.

Doria também disse que a vigilância para a aplicação de medidas como o uso obrigatório de máscaras deverá ser feita pelas prefeituras, com apoio da Polícia Militar "apenas em casos extremos". 

O governador anunciou ainda que 60 serviços do Poupatempo passam a ser acessíveis por meio da internet, evitando a necessidade de sair de casa. Entre os novos serviços online estão a renovação e segunda via de carteira de motorista (CNH), pedido de acesso ao seguro-desemprego, emissão da carteira de trabalho digital e emissão de atestado de antecedentes criminais. 

Doria informou que haverá também um mutirão da Polícia Civil para emissão de carteiras de identidade para pessoas em situação de rua, principalmente na região do centro da capital, para que essas pessoas possam pedir o auxílio emergencial de R$ 600.

Críticas a Bolsonaro

Doria refutou a hipótese de que a perspectiva de retomada da atividade econômica em parte do estado a partir do dia 11, anunciada pelo próprio governo no fim de abril, tenha estimulado a população a não aderir ao isolamento social. O governador responsabilizou o presidente Jair Bolsonaro pelo desrespeito ao isolamento.

"O que tem estimulado o relaxamento é a conduta errática do presidente, que dá maus exemplos todo final de semana saindo para passeios, dando um péssimo exemplo aos brasileiros", disse Doria.

Sem citar Bolsonaro, o governador iniciou a entrevista coletiva de hoje dizendo que "não é hora de fazer comício em cemitério". Nas últimas três semanas, o presidente participou de pelo menos dois atos em Brasília em que manifestantes se aglomeraram e defenderam atos antidemocráticos, como o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal), além de uma intervenção militar.

Apesar das críticas ao presidente, Doria elogiou o ministro da Saúde, Nelson Teich, por ter visitado Manaus, um dos locais mais duramente atingidos pela pandemia de COVID-19 no país, e reiterado a necessidade do isolamento social.