Sputnik V: Se existiu alguma desconfiança, ela foi 'dizimada', diz União Química

No Brasil, a vacina russa contra a Covid-19, que ainda não tem aprovação da Anvisa para uso emergencial, vai ser produzido pelo grupo União Química

Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
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Na revisão do estudo publicada nesta terça-feira (2) na revista científica The Lancet, a Sputnik V, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia, mostrou eficácia de 91,6% quando aplicada duas doses. O resultado se refere aos termos de eficácia, imunogenicidade e segurança contra a Convid-19 em análise dos estudos na Fase 3.

No Brasil, o imunizante, que ainda não tem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial, vai ser produzido pelo grupo União Química. O diretor de negócios internacionais do grupo, Rogério Rosso, acredita que, após a divulgação da eficácia da vacina, se existiu alguma desconfiança sobre o produto, ela ficou “absolutamente dizimada”.

Segundo ele, o laboratório brasileiro já tinha conhecimento dos dados e os compartilhou com a Anvisa. Para que haja aprovação para o uso emergencial da Sputnik no Brasil, é preciso que haja um estudo de fase 3 realizado aqui no Brasil, o que ainda não foi feito. Rosso acredita que "muito em breve" haverá autorização da agência para que o país importe doses emergenciais e, daqui a algumas semanas ou meses, a produção ocorra em solo nacional. 

“A publicação de hoje é importante porque o mundo fica sabendo agora do que temos informado recorrentemente de que a vacina russa é uma vacina extremamente eficaz, segura e não apresenta nenhuma reação adversa grave e força dela de 91,6% eficaz. Isso é uma grande notícia para o mundo inteiro e especialmente para o Brasil, na medida que teremos uma empresa brasileira produzindo a IFA da Sputnik V", disse.

Agora, Rosso acredita que essa publicação ajudará na avaliação da Anvisa. “Com a publicação de hoje, se é que já existiu alguma desconfiança, ela fica dizimada e mostra que a Sputnik V das 11 vacinas já aprovadas pelo o mundo é a que mais tem apresentado a sua eficácia, isso é muito bom para todo mundo e também para nós brasileiros porque está muito claro que o que mais precisamos hoje são de alternativas de vacina, desde que seja segura eficaz", continua.

O diretor confirmou que o labortório tem sido procurado por governadores para o fornecimento do imunizantes, porém o foco da empresa está no Programa Nacional de Imunizações, gerido pelo Ministério da Saúde. 

Na quarta-feira passada a Anvisa comunicou ter feito uma inspeção na fábrica da União Química. Para Rosso, a inspeção demonstrou que a companhia está em dia com as normas regulatórias. “Nossa expectativa de produção é otimista. Estimamos a produção de 8 milhões de dose por mês da vacina russa no Brasil quando estiver em fase plena”, relatou.