Superbactérias no intestino são identificadas em "teste de farmácia"
Desenvolvimento do teste resultou em diminuição do tempo para o diagnóstico e democratização do controle da infecção

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do Hospital das Clínicas desenvolveram um teste rápido e de baixo custo capaz de identificar "superbactérias" no intestino de pacientes internados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).
Segundo o estudo, a técnica, que funciona de forma semelhante aos testes imunocromatográficos, popularmente vistos em farmácias para gravidez ou Covid-19, reduziu de 60 para 6 horas o diagnóstico bacteriano.
No método tradicional, após cultivar as bactérias em laboratório, o resultado do diagnóstico demora cerca de dois a três dias para ser liberado. Além disso, os pacientes precisam ficar em isolamento preventivo individual e utilizar aventais e luvas descartáveis para evitar o contágio.
De acordo com os pesquisadores, a partir dessa técnica, há um desperdício massivo de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), sobrecarga das equipes de enfermagens e um quadro de estresse ao paciente.
Há também a alternativa de testes genéticos moleculares, por serem rápido e precisos, no entanto eles são caros e exigem equipamento complexos, o que impede a adoção do método pela maioria dos hospitais públicos.
Para o professor colaborador da FMUSP e um dos autores do projeto, Matias Chiarastelli Salomão, o desenvolvimento do novo teste demonstra uma democratização do controle da infecção. "Ele oferece a velocidade de um teste molecular caro, mas por uma fração do preço e sem necessidade de máquinas complexas. Isso abre as portas para que qualquer hospital público ou laboratório com recursos limitados no Brasil e no mundo consiga identificar pacientes portadores de forma precoce, economize recursos retirando isolamentos desnecessários e proteja os pacientes internados", afirma o professor.
O trabalho foi realizado em parceria com instituições internacionais e publicado nas revistas científicas Journal of Hospital Infection, Microbiology Spectrum e Brazilian Journal of Infectious Diseases.
O que são superbactérias?
As superbactérias são classificadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como ERC (Enterobactérias Resistentes a Carbapenêmicos) e são consideradas uma das ameaças globais à saúde humana.
Essas bactérias são comumente desenvolvidos a partir da resistência a antibióticos potentes - conhecidos como carbapenêmicos -, por causa da produção de enzinas destruidoras de remédios, as chamadas carbapenemases.
Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), as superbactérias podem ser desenvolvidas a partir das seguintes medidas:
- Tratamento maior ou menor que o recomendado pelo médico;
- Uso de antibiótico para tratar doenças que não são infecções bacterianas;
- Uso de antibiótico não indicado para o tipo de bactéria que está causando a infecção;
- Uso inadequado de antibióticos na área veterinária, especialmente em animais utilizados para o consumo humano e;
- Falta de um bom controle de infecções nos serviços de saúde.
Segundo a pesquisa, infecções generalizadas causadas pelas ERC registram quase 64% da taxa de mortalidade.
O estudo não descarta o isolamento e a atenção as medidas de prevenção de cultura das ERC, como, por exemplo, o uso correto do medicamento.


