Terceira dose é parte do esquema primário de proteção, diz Renato Kfouri

Casos graves de Covid-19 se concentram em indivíduos não vacinados ou que não completaram o esquema vacinal, segundo o médico

Lucas RochaElis Francoda CNN

em São Paulo

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O Ministério da Saúde estima que já foram aplicadas mais de 85,9 milhões de doses de reforço contra a Covid-19 no país até o momento. Os dados são da plataforma LocalizaSUS.

Em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (3), o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, destacou a importância da adesão à terceira dose dos imunizantes contra a doença.

“Precisamos mudar esse conceito de que o esquema é de duas doses, o esquema é de três doses, temos só 60% da população com três doses, com a dose de reforço ou terceira dose. Esse nome não devia ser chamado nem de reforço, a terceira dose é parte do esquema primário de proteção. Tanto é que os adolescentes precisam de três doses”, afirmou Kfouri.

De acordo com o médico, os casos graves da doença se concentram em indivíduos não vacinados ou que não completaram o esquema vacinal, além de crianças menores de cinco anos, para as quais não há vacina disponível, idosos e imunocomprometidos.

“O grupo hoje que hospitaliza e agrava são os não adequadamente vacinados, que não tem três doses, as crianças que ainda não tiveram a oportunidade de vacinar, menores de cinco anos de idade, os idosos que sabidamente perdem a proteção rapidamente e aqueles imunocomprometidos em que dificilmente você vai conseguir uma proteção adequada”, disse.

O especialista avalia que devem ser adotadas medidas complementares para aumentar a proteção das pessoas mais vulneráveis à infecção.

“Precisamos acoplar à vacinação nesses idosos e imunocomprometidos outras medidas, anticorpos monoclonais e antivirais, nós estamos atrasados nessas medidas, na incorporação de tecnologia no SUS. Precisamos de estratégias como esses anticorpos de longa proteção que protegem os indivíduos até por seis meses, antivirais para tratar precocemente aqueles que sabidamente têm o risco de evoluir para formas graves da doença”, completa.

Para Kfouri, a ampliação da segunda dose de reforço para pessoas acima de 50 anos, em avaliação pelo Ministério da Saúde, é uma medida acertada.

“Não há duvida que indivíduos acima de 50 anos de idade, que muitas vezes já têm uma doença crônica, problema de hipertensão, de diabetes, cardíacos se beneficiariam e muito, bem como profissionais da saúde que, também pela sua exposição, devem receber seu segundo reforço”, concluiu.

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