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    Terceira onda não depende da entrada de nova variante no país, diz pesquisadora

    À CNN, Margareth Dalcomo apontou vários fatores que mantêm a pandemia em alta no Brasil

    Produzido por Layane Serrano, da CNN, em São Paulo

    O Brasil pode entrar em uma terceira onda da pandemia de Covid-19 independentemente da entrada de novas variantes no país, caso as medidas de distanciamento social não sejam respeitadas. O alerta foi feito pela pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcomo em entrevista à CNN neste sábado (29).

    “Houve aberturas, precoces e oportunas ou não, enorme mobilidade social ocorrendo com transporte coletivo lotado e uma transmissão muito alta da variante P.1, que predomina no Brasil, além do risco real da entrada da variante indiana. Sabemos que a terceira onda não depende da entrada de uma nova variante, podemos tê-la propiciada pela taxa de transmissão comunitária muito alta e a taxa de ocupação de leitos hospitalares. O risco é real”, disse a especialista.

    Para Dalcomo, o Brasil deveria ter apostado em ações contra a disseminação desde o começo. “Nós nunca fizemos nada direito, a verdade é essa. Nunca implementamos medidas de controle, barreiras sanitárias, suspensão de voos num ‘time’ adequado. A Índia anunciou a variante há quase um mês e não tomamos as medidas necessárias”, criticou a pesquisadora.

    Ainda de acordo com a pesquisadora, um outro ponto que pode agravar a pandemia no Brasil é “a falta de consciência sobre o distanciamento”.

    “A negação, a falta de uso de máscaras, essas aglomerações, festas e eventos presenciais são um desastre. Cada evento desse gera algumas dezenas de casos, e entre os mais jovens.”

    Coordenação nacional

    A pesquisadora também criticou a falta de uma coordenação nacional e de cuidados padronizados em todo o país no combate à Covid-19.

    “Cada lugar toma uma medida, cada um faz o que quer, e isso resultou nesse desastre de controle epidemiológico que o Brasil representa. Nunca conseguimos uma taxa de distanciamento físico adequada, que é de 60%, São Paulo chegou perto em alguns momentos no ano passado, e este ano não, além de uma ou outra cidade.”

    Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz (29.Mai.2021)
    Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz (29.Mai.2021)
    Foto: Reprodução/CNN