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    Teste do Olhinho pode identificar câncer raro como o que atinge filha de Tiago Leifert

    Exame, que deve ser realizado três vezes ao ano em crianças de até 3 anos, ajuda na identificação de doenças oculares; apresentador falou sobre quadro da filha em rede social

    Fabrizio Neitzkeda CNN

    Em São Paulo

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    Na edição desta segunda-feira (31) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes falou sobre o caso da filha do apresentador e jornalista Tiago Leifert, que sofre de um tipo raro de câncer nos olhos, chamado de retinoblastoma.

    No final de semana, Tiago e a esposa, Daiana Garbin, anunciaram a condição da pequena Lua, de apenas um ano, através das redes sociais. O casal comoveu a internet com o depoimento e aproveitou o anúncio para alertar outros pais a ficarem atentos com a saúde dos olhos das crianças. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, a doença atinge aproximadamente 6 mil crianças no mundo todos os anos.

    Para Fernando Gomes, a detecção precoce de qualquer tipo de doença – principalmente as oftalmológicas – é extremamente importante. Neste caso, o chamado “teste do olhinho”, um exame oftalmológico infantil que identifica as doenças oculares pode ser utilizado para a prevenção de casos graves do quadro.

    O procedimento é indolor e consiste na incidência de um foco de luz no olho da criança, verificando o aparecimento ou não do reflexo natural da cor avermelhada. O exame deve ser feito três vezes ao ano até os três anos de idade e também pode servir para identificar a catarata, que pode levar à cegueira.

    No caso de Lua Leifert, o retinoblastoma é bilateral, ou seja, atinge os dois olhos da criança. Gomes destacou, porém, que a doença pode se manifestar de forma unilateral – em apenas um dos olhos – e de maneira trilateral, nos casos mais raros, quando além do problema na vista surge, em paralelo, um tumor neuroblástico na caixa craniana.

    O neurocirurgião explicou que, nesta faixa etária de Lua, diversas situações oftalmológicas podem ser detectadas, ainda mais em casos de infecções congênitas – quando um vírus ou bactéria passa da placenta da mãe e infectam o bebê ainda durante a gravidez. “Precisamos lembrar que todo o aparato visual está em desenvolvimento. Toda a organização do processo da visão vai ocorrer nos primeiros meses.”

    “Se você perde tempo na correção e no diagnóstico, pode, além de provocar uma situação evitável ou reversível de cegueira, uma alteração no desenvolvimento do cérebro”, afirmou.

    A atenção dos pais é primordial para a identificação de problemas de visão nas crianças. Tiago Leifert, por exemplo, afirmou ter começado a notar que havia algo de errado com a filha pelo comportamento dela, inclinando o rosto para conseguir enxergar locais específicos. Segundo Fernando Gomes, a ação ajuda a reforçar a importância da realização do teste do olhinho três vezes ao ano.

    “Nada melhor do que o pai, a mãe, ou quem cuida da criança entender se houve um padrão diferente de visão ou não. Mas quando você percebe que o reflexo de uma foto está diferente, que a criança passa a não buscar com o olhar objetos que você oferece, ou então estrabismo e outras alterações, você precisa procurar o mais precocemente um oftalmologista”, disse o médico.

    Apesar de raro, o retinoblastoma possuí tratamento. A depender do grau da doença, a forma de terapia pode variar, sendo possível a realização de quimioterapia, crioterapia – o congelamento do tumor –, remoção à laser e, em casos mais extremos, a remoção do olho.

    “O mais importante é detectar precocemente. Se não existir espalhamento do tumor para outras partes do corpo, você consegue oferecer uma possibilidade de vida normal para a criança”, finalizou Gomes.

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