Rússia testará 40 mil pessoas e pretende iniciar vacinação em massa em outubro

Cientistas russos estimam que Sputnik V oferecerá proteção de dois anos àqueles que forem vacinados contra o coronavírus

Fabricio Julião*, da CNN, em São Paulo, e

Iara Maggioni, da CNN, em Curitiba

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Autoridades de saúde da Rússia afirmaram nesta quinta-feira (20), em entrevista coletiva virtual para mais de 300 jornalistas de todo o mundo, que darão início em outubro a vacinação em massa da população contra a Covid 19.

Antes da aplicação da Sputnik V – primeira vacina contra o novo coronavírus registrada no mundo – em seus cidadãos, no entanto, o governo testará 40 mil pessoas na fase 3 dos testes clínicos do imunizante, a partir da próxima semana.

O ensaio clínico será randomizado, controlado, e duplo cego, ou seja, nem voluntários nem a equipe de profissionais responsáveis pelos testes saberão quem receberá a vacina e quem receberá o placebo – substância que não tem efeito no organismo humano.

A previsão é de que a vacina comece a ser exportada para outros países em novembro. O Brasil, junto com Coreia do Sul, Índia, Filipinas e Cuba, está entre os países que devem também produzir a vacina. 

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Foto: Reuters

O governo russo está em negociação com o governo do Paraná para produção de doses em território brasileiro. Para que isso possa acontecer, no entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa ) ainda precisa aprovar os protocolos. 

O Paraná também pode participar da testagem da vacina na fase 3, mas essa confirmação também só acontecerá depois de autorização da Anvisa. 

A vacina russa será aplicada em duas doses, com intervalo de 21 dias. Segundo explicações fornecidas nesta quinta, a vacina vai inserir no corpo humano o adenovírus AD26 e AD5. Essa combinação, segundo autoridades de saúde russas, deve dar mais eficácia à imunização.

Os adenovírus carregam material genético do Sars-CoV-2, que causa a Covid-19. Em contato com esse material genético, o organismo humano deve produzir anticorpos para combater o novo coronavírus. 

Testes clínicos

Mais de 3 mil pessoas foram testadas até o momento em ensaios clínicos na Rússia. Os voluntários, com idades entre 18 e 60 anos, apresentaram alguns efeitos colaterais, como dor de cabeça, mas esses sintomas foram considerados inofensivos pelos pesquisadores. 

Os participantes dos ensaios apresentaram bons resultados imunes, com a produção de anticorpos contra o novo coronavírus, afirmaram os cientistas. 

Para a produção da Sputnik V, foram utilizadas informações de vacinas contra o Ebola e MERS, que ajudaram, inclusive, a criar um entendimento melhor sobre o prazo de imunidade. Com base na produção de vacinas para essas outras duas doenças, os cientistas estimam que a Sputnik V terá proteção de dois anos àqueles que forem vacinados. 

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