Sputnik V: Rússia começa produção de vacina contra a Covid-19


Fabricio Julião*, da CNN, em São Paulo
15 de agosto de 2020 às 10:31 | Atualizado 15 de agosto de 2020 às 16:07

A vacina contra o novo coronavírus da Rússia, de nome Sputnik V, começou a ser produzida neste sábado (15), informou o ministério da Saúde do país, de acordo com a agência de notícias estatal TASS.

De acordo com informações da agência russa de notícias Interfax, a vacina começou a ser produzida nas instalações da farmacêutica Binnopharm, que tem capacidade para fazer cerca de 1,5 milhão de doses de vacina por ano.

Entre dezembro deste ano e janeiro de 2021, o governo espera chegar a 5 milhões de doses da vacina por mês com a inclusão de novos locais de produção do medicamento. A Interfax diz que toda a Rússia estará abastecida com a vacina no prazo de um ano.

Desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, com sede em Moscou, a vacina foi aprovada pelo governo na terça-feira (11), antes de iniciar a Fase 3 dos testes clínicos. Dias depois, o estado do Paraná assinou um acordo com os russos para testar o medicamento.

O chefe do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), Kirill Dmitriev, anunciou no início desta semana que os testes de Fase 3 da Sputnik V começariam no dia 12 de agosto. Cerca de 2 mil pessoas devem participar deste estágio, que é considerado crucial para avaliar a eficácia e segurança da vacina. 

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Algumas pessoas já tomaram doses da vacina, como a filha do presidente Vladimir Putin e o próprio Dmitriev. No entanto, nenhum dado científico sobre a Sputnik V foi divulgado.

“Sabemos que a tecnologia funciona e publicaremos os dados em agosto e setembro para demonstrar isso”, disse o chefe do RDIF.

Dmitriev acrescentou que a vacina será distribuída gradualmente para profissionais da saúde e para pessoas que compõem grupos de risco antes da vacinação em massa dos russos, com estimativa para começar em outubro. 

A Sputnik V deve estar disponível para os outros países ainda em novembro deste ano.

Dúvidas sobre a vacina russa

Apesar de a Rússia ter registrado a vacina contra Covid-19 e iniciado sua produção, o mundo levanta questões sobre a real eficácia do medicamento e a validade dos testes realizados até o momento pelo país.

À CNN, a representante da Sociedade Brasileira de Imunizações e membro do grupo de trabalho de vacinas para a Covid-19 da OMS, Cristiana Toscano, disse que a vacina ainda percorrerá longo caminho antes de ser aplicada na população.

“Não tenho receio com essa vacina em particular. O cuidado e a cautela se dão em função de que só se pode aprovar uma vacina após cumprir os testes de fase 3. A aprovação da vacina é da Anvisa, que só irá aprovar os estudos de fase 3 após receber e avaliar os estudos de fase 1 e 2. Ainda não recebemos [nem OMS, nem Anvisa], os testes iniciais da vacina russa.”

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Já a OMS disse estar em contato com cientistas e autoridades russos, e "espera revisar detalhes dos testes", de acordo com e-mail enviado à CNN após as notícias sobre a vacina registrada na Rússia.

"A OMS saúda todos os avanços no desenvolvimento e pesquisa sobre vacinas contra a Covid-19. Em um nível global, a OMS tem estado envolvida em orientar e acelerar esforços de pesquisa e desenvolvimento desde janeiro de 2020", diz o pronunciamento da OMS enviado por e-mail.

(*sob supervisão de Carlos Amaral; com informações da CNN)

Infográfico vacina russa

Infográfico: Como funciona a vacina russa contra a Covid-19

Foto: CNN