Testes de glicose em escola: quais os riscos de compartilhar agulhas?

Mais de 20 pessoas teriam sido expostas a riscos após caso no Rio de Janeiro; HIV e hepatites são os principais vírus a serem transmitidos pelo uso comum de lancetas

Yasmin Silvestre, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
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Uma mesma agulha teria sido compartilhada entre várias pessoas durante uma coleta de sangue em testes de glicose durante uma Feira de Ciências do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, na zona Sudoeste do Rio, no sábado (12).

Ao menos 20 pessoas relataram terem sido expostas após o compartilhamento de lancetas na escola. A atividade não era autorizada e foi interrompida após ser identificada.

Mas quais são os riscos do compartilhamento de agulhas?

Segundo a infectologista Janaína Teixeira, o principal risco de compartilhar lancetas é contrair uma infecção viral. Os três principais vírus que podem ser transmitidos são o HIV, a Hepatite B e a Hepatite C.

"Uma pessoa contaminada por um vírus, se compartilhar a agulha que utilizou com outra pessoa, pode transmitir esse vírus. Infecções virais podem evoluir ao longo do tempo, inclusive de forma assintomática, e depois evoluir para quadros mais graves e levar à morte, como o próprio HIV, que se não tratado,  pode levar o paciente a óbito", explica a especialista que também é professora da Afya Educação Médica de São Paulo.

Compartilhei a agulha e estou com risco de estar contaminado. O que devo fazer?

Ainda de acordo com a infectologista, após ser infectado é necessário procurar atendimento de forma rápida para evitar complicações, no máximo em 72 horas.

"Durante o atendimento médico existe, por exemplo para o HIV, o uso da profilaxia pós-exposição. Ou seja, você desconhece o status sorológico da pessoa com quem compartilhou a agulha, mas pode receber o antirretroviral, o medicamento para diminuir o risco de transmissão e de adquirir esse vírus", explica.

O mesmo acontece com a Hepatite B, que também possui um imunizante.

"Pode acontecer tanto a vacinação, para fornecer partículas do vírus para a pessoa produzir seus próprios anticorpos, quanto o fornecimento de imunoglobulina, que é o anticorpo pronto contra a Hepatite B", explica.

Em casos de Hepatite C, o paciente pode ser acompanhado por um médico de três até seis meses depois de ser infectado.

Polícia investiga caso

A Polícia Civil vai investigar o caso envolvendo o compartilhamento de agulhas.

A instituição de ensino orientou os responsáveis por alunos que tiveram o dedo perfurado a procurar atendimento médico. Até o momento, segundo a direção, os testes informados à escola apresentaram resultado negativo.

Na última terça-feira (14), uma equipe de saúde esteve na unidade para orientar estudantes e responsáveis. O colégio também contratou uma infectologista pediátrica para acompanhar os casos.