Esquema do TCP de roubos de remédios contra câncer é alvo de operação no RJ
Investigações apontam que a organização criminosa movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano
Um esquema do TCP (Terceiro Comando Puro) de roubos e distribuição de remédios contra o câncer é alvo de uma operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (21). Investigações apontam que a quadrilha movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano.
Os agentes cumprem dezenas de mandados de busca e apreensão e de prisão contra integrantes e lideranças do grupo. Até o momento, cinco pessoas foram presas durante a operação Metástase.
Os cumprimentos ocorrem no Complexo da Maré, na zona Norte do Rio, na Baixada Fluminense, além de endereços em São Paulo, Goiás e Pará.
O que mostram as investigações
As investigações identificaram uma organização criminosa especializada em roubos de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor de mercado. Eles seriam usados tanto na rede privada quanto na rede pública de saúde.
Foi identificada a participação do grupo em pelo menos 20 crimes semelhantes nos últimos seis meses, além da movimentação financeira superior a R$ 33 milhões no período de um ano, entre 2025 e 2026, com o uso de empresas de fachada.
Os trabalhos também indicaram que o material roubado era reinserido em instituições públicas de saúde de todo o país por meio de processos licitatórios na modalidade de tomada de preços.
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Foram identificados diversos setores do esquema. Cada um deles é responsável por uma etapa da operação: o núcleo dos roubadores; o núcleo logístico-financeiro intermediário; o núcleo logístico-financeiro final; e o núcleo de suporte territorial.
Após os roubos os medicamentos eram levados para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde ocorria o transbordo e a redistribuição da carga.
A facção era responsável pelo suporte territorial, ao fornecer armas e proteção ao núcleo de roubadores. Em seguida, um segundo núcleo cuidava do armazenamento, fracionamento e envio dos medicamentos roubados.
Para esconder a origem dos produtos e enviá-los aos receptadores finais em diversos estados do país, os integrantes usavam empresas de fachada, transportadoras, entregadores e "laranjas". As equipes também identificaram membros do grupo responsáveis por aliciar funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas.
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De acordo com a polícia, medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem rigoroso controle de temperatura e armazenamento durante todo o transporte. Quando mantidos em condições inadequadas, podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou até gerar substâncias nocivas.
Os investigadores apontam que, além dos crimes, o volume das cargas roubadas pode comprometer o abastecimento dos sistemas de saúde, o que impacta o tratamento de pacientes oncológicos, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.
Os mandados são cumpridos no Rio de Janeiro; na capital paulista e nos municípios de Santo André e São Caetano do Sul, em São Paulo; em Goiânia, Goiás; e em Belém, no Pará.
A ação conta com o apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada, do Departamento-Geral de Polícia da Capital, do Departamento-Geral de Polícia da Baixada, da Coordenadoria de Recursos Especiais, da Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional, de agentes da Polícia Militar e da Rede Cargas, do Ministério da Justiça.


