Transição de 30 dias para fim da emergência é curta, diz infectologista

Em entrevista à CNN, Raquel Stucchi defendeu que, apesar de melhora nos índices possibilitarem a medida, Ministério da Saúde não procedeu da melhor maneira

Isabella Galvãoda CNN*Renata Souzada CNN

em São Paulo

Ouvir notícia

Em entrevista à CNN neste domingo (24), a infectologista da Unicamp Raquel Stucchi afirmou que é curto o período de 30 dias de transição para o fim da emergência da Covid-19 no Brasil. A portaria assinada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, determina que o prazo se iniciaria com a publicação da medida no Diário Oficial da União.

“Com a complexidade que nós temos, com a complexidade que a Covid exigiu – nós temos mais de 170 decretos que foram lançados, incorporados, porque estávamos em uma situação de emergência sanitária e precisariam ser revistos. 30 dias é um período muito curto de tempo para essa adaptação”, afirmou a especialista.

Outras entidades também criticaram o período determinado. Em ofício, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) pediram um prazo de 90 dias para a vigência da portaria.

Segundo Stucchi, a “redução importante de todos os nossos índices, principalmente de hospitalização e morte”, é um fator que favorece o fim da emergência. Por outro lado, a infectologista critica a maneira como a Saúde procedeu.

“Não foi combinado, acertado e planejado adequadamente com os estados e municípios”, afirmou.

Diante da melhora das taxas, outros países também começaram a flexibilizar medidas. No entanto, a especialista salienta que o fim da emergência não pode ser associado com o fim dos cuidados.

“A Covid vai continuar entre nós, todos nós já sabemos disso, o que nós não podemos deixar é que a Covid seja mais uma das doenças negligenciadas e deixadas de lado, porque isso poderá trazer impactos.”

 

*Sob supervisão de Juliana Alves

Mais Recentes da CNN