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    Tratamento para Alzheimer retarda progressão do declínio cognitivo, dizem empresas

    Farmacêuticas Biogen e Eisai apresentaram resultados de estudos clínicos de tratamento chamado lecanemabe com anticorpos monoclonais

    Associação de Alzheimer expressou esperança sobre os resultados da pesquisa
    Associação de Alzheimer expressou esperança sobre os resultados da pesquisa Tek Image/Science Photo Library/Getty Images

    Amanda Sealyda CNN

    Um tratamento com anticorpos monoclonais para a doença de Alzheimer, chamado lecanemabe, retarda a progressão do declínio cognitivo em 27% em comparação com um placebo, uma substância sem qualquer efeito para o organismo. As informações foram divulgadas pelas farmacêuticas Biogen e Eisai na terça-feira (27).

    A droga, testada em um ensaio clínico global de fase 3, também atendeu a todos os desfechos secundários, mostrando “engajamento alvo” com níveis reduzidos de amiloide – uma proteína que é uma das características da doença – e efeitos positivos na cognição e na capacidade de realizar tarefas cotidianas quando comparado com um placebo.

    “Acreditamos que ajudar a aliviar esses encargos impactará positivamente a sociedade como um todo”, disse o CEO da Eisai, Haruo Naito, em comunicado. “Além disso, os resultados do estudo lecanemabe Clarity AD comprovam a hipótese amiloide, na qual o acúmulo anormal de Aβ no cérebro é uma das principais causas da doença de Alzheimer”.

    No entanto, o pesquisador Richard Isaacson, diretor da Clínica de Prevenção de Alzheimer no Centro de Saúde do Cérebro da Faculdade de Medicina Schmidt da Florida Atlantic University, disse à CNN que os resultados do estudo não são prova da hipótese amiloide.

    “Isso prova que, em pessoas com uma certa quantidade de amiloide no cérebro em um determinado estágio da doença, essa droga funciona. Em termos de provar um mecanismo pelo uso de uma droga, não. Alzheimer é uma doença muito heterogênea”, disse.

    Mas ele afirma que isso não diminui o significado potencial do ensaio. “No passado, a redução da amiloide no cérebro nem sempre estava ligada a melhorias cognitivas ou melhorias clínicas significativas. Neste estudo, todos os desfechos foram positivos. Isso nunca aconteceu antes”.

    No geral, houve efeitos colaterais em 21,3% dos participantes do estudo que tomaram lecanemabe, mas Isaacson alerta que quando as pessoas recebem esse tipo de tratamento, elas precisam ser monitoradas de perto durante todo o processo. Os efeitos colaterais sintomáticos são uma medida mais importante, diz ele.

    “Quando este medicamento é usado corretamente, os efeitos colaterais são controláveis ​​e os resultados negativos são evitáveis ​​na maioria dos casos”, disse ele.

    A taxa de ARIA-E sintomática, inchaço no cérebro, foi de 2,8% nos participantes do estudo que tomaram o medicamento e de 0% naqueles que tomaram o placebo. A taxa de ARIA-H sintomática, sangramento cerebral e acúmulo de ferro no tecido foi de 0,7% no grupo da droga e 0,2% no grupo do placebo.

    A Associação de Alzheimer expressou esperança sobre os resultados.

    “Para as pessoas nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, este tratamento tem o potencial de mudar o curso da doença de maneira clinicamente significativa”, disse a associação em comunicado. “Esses resultados indicam que o lecanamabe pode dar às pessoas mais tempo ou perto de suas habilidades plenas para participar da vida diária, permanecerem independentes e tomarem futuras decisões de saúde. Tratamentos que oferecem esses benefícios para pessoas com comprometimento cognitivo leve (CCL) devido à doença de Alzheimer e a demência precoce de Alzheimer são tão valiosos quanto os tratamentos que prolongam a vida das pessoas com outras doenças terminais”.

    A opinião é compartilhada por Isaacson: “Estou imaginando um mundo onde, nos próximos anos, esse tipo de tratamento será uma das muitas ferramentas em nossa caixa de ferramentas no gerenciamento da doença de Alzheimer”.

    Embora as descobertas venham apenas de dados preliminares, as empresas dizem que planejam publicá-las em um periódico revisado por pares e planejam apresentar os dados para obter a aprovação das autoridades regulatórias dos EUA até o final de março.

    A Biogen também é a empresa por trás de outro medicamento para Alzheimer, o Aduhelm, que foi aprovado de forma controversa pela Food and Drug Administration (FDA), agência semelhante à Anvisa dos EUA, em junho de 2021. O Aduhelm foi o primeiro novo medicamento para Alzheimer aprovado em quase 20 anos, mas havia dúvidas sobre sua eficácia e custo. A FDA rapidamente reduziu o grupo de pessoas que poderiam recebê-lo, e não está claro quantos médicos irão prescrever devido à incerteza em torno de seus resultados.

    Aduhelm também foi a força motriz por trás de um aumento maciço nos prêmios do Medicare Parte B para 2022 e da cobertura restrita do Medicare em abril.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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