“Três doses dão boa proteção contra Ômicron”, diz coordenador de testes da Pfizer

Cristiano Zerbini explica à CNN que será necessário ensaio clínico em humanos, mas dados da vacina em laboratório "já são uma notícia muito boa"

Leonardo LopesProduzido por Layane Serranoda CNN

em São Paulo

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A farmacêutica americana Pfizer divulgou, nesta quarta-feira (8), os resultados iniciais do estudo em laboratório sobre os efeitos de sua vacina contra Covid-19 em relação à variante Ômicron do coronavírus.

Quando aplicado em três doses, o imunizante é capaz de neutralizar a variante. Em relação ao esquema de duas doses, há uma redução “significativa” nos títulos de anticorpos contra a variante Ômicron – mas a vacina ainda é capaz de proteger contra o desenvolvimento de doença grave.

“O que foi comprovado em laboratório é que as duas doses da Pfizer protegem em torno de 80% contra essa variante. Quando a terceira dose é aplicada a proteção vai para mais de 90%”, contou em entrevista à CNN o médico Cristiano Zerbini, coordenador dos estudos da Pfizer no Brasil.

“A terceira dose diminui o risco de doença pela variante Ômicron em torno de 25 vezes mais do que as duas doses iniciais”, complementou.

Os dados iniciais publicados pela Pfizer, nesta terça (8), vêm de um estudo inicial feito em laboratório. Nessa situação, as células de defesa continuaram a reconhecer a proteína “Spike” da variante Ômicron do coronavírus. Dessa forma, foi garantida a manutenção da proteção pela vacina.

“Nós vamos precisar evidentemente de um trabalho de campo. Sempre importante termos o estudo observacional na população. Mas a notícia já é muito boa. Esses dados do laboratório já mostram que a vacina tem capacidade de induzir uma boa imunidade”, disse.

Ele ressalta que ainda não foi registrado nenhum caso grave de Covid-19 provocado pela Ômicron, mas é necessário garantir a máxima proteção possível, e tomar a terceira dose. “Não quer dizer que não possa haver [casos graves da Ômicron] no futuro. Ninguém pode descuidar. Quanto mais vacinas, vamos ter uma grande proteção para a nossa população”, afirmou.

O coordenador dos estudos da Pfizer destaca que já está sendo desenvolvido um “aperfeiçoamento da vacina” específico para combater a nova cepa. A estimativa de Zerbini é que esta atualização chegue para a população até a metade de 2022, ou talvez um pouco antes.

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