Universidades públicas suspendem atividades presenciais por avanço da Ômicron

Reitorias de três estados decidiram pelo cancelamento; ministro da Educação criticou a medida

Anelise InfanteRafaella Balieiroda CNN

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As universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), Santa Catarina (UFSC) e Lavras (UFLA-MG), além da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), anunciaram a suspensão das atividades presenciais até o fim de janeiro devido ao aumento no número de casos de Covid-19.

As do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pernambuco (UFPE), Goiás (UFG) e Distrito Federal (UDF) estão avaliando o cenário para rever o planejamento e devem anunciar a decisão nos próximos dias.

A reitoria da maior universidade do país, a UFRJ, alegou que o aumento de casos na capital fluminense foi fundamental para a adoção da medida.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, a taxa de positividade para a Covid-19 voltou a subir na primeira semana do ano, chegando a 44%.

“Há muitos estudantes positivos para Covid-19. Seria injusto com eles permanecer na modalidade presencial, e muito arriscado porque outros alunos poderiam se contaminar. A nova variante, infelizmente, é muito transmissível. Por isso, decidimos diminuir o ritmo do retorno presencial, previsto em nossas diretrizes”, disse em nota a reitora da UFRJ, Denise Pires.

As atividades presenciais também foram interrompidas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) pelo menos até o fim deste mês. Somente atividades consideradas indispensáveis, segundo a direção, serão mantidas no modelo presencial.

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) definiu a situação como “cenário de aumento explosivo de casos”.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, comentou o posicionamento dos reitores e classificou a medida como “lamentável”.

Em entrevista coletiva, o ministro afirmou que os reitores “têm autonomia. Se tivéssemos decisão sobre esse assunto, seria diferente”.

Para o infectologista José Pozza Junior, da Unirio, a suspensão do calendário presencial é muito importante na estratégia de conter o avanço da nova variante.

“Com uma transmissão cada dia maior, os setores de serviço público têm que pensar em formas de tentar diminuir a exposição ao vírus. Quando a gente pensa em universidades públicas, vemos muitas vezes aqueles prédios antigos e sem ventilação adequada, então a suspensão das aulas é uma forma de diminuir a transmissão da nova variante”, comentou o médico infectologista.

A CNN tentou contato com as Secretarias de Educação do município e do estado para verificar o planejamento do calendário letivo presencial deste ano, mas ainda aguarda um posicionamento.

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