Uso de cloroquina provoca racha em classe médica

Divisão atinge também o Congresso Nacional

Caio Junqueirada CNN

em São Paulo

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A insistência do governo federal no uso do chamado “kit Covid” causou um racha na classe médica. Apesar do conjunto de remédios ser comprovadamente ineficaz contra o coronavírus, a decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) que permite a utilização de hidroxicloroquina ainda é válida.

A entidade é responsável por fiscalizar e regulamentar a prática médica. E é nessa orientação que o governo do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) se ampara.

O parecer que viria a se tornar polêmico foi aprovado por unanimidade em uma reunião do CFM em abril do ano passado. Porém, foi na última semana que a Defensoria Pública da União (DPU) entrou com uma ação contra o conselho por ainda permitir o uso do medicamento.

A entidade ainda não mudou o seu posicionamento, mas outras representações médicas sim. É o caso da Associação Médica Brasileira (AMB), que mudou o discurso após a eleição de uma nova diretoria.

As divergências de opinião também estão em outros âmbitos, como na CPI da Pandemia. A oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, por exemplo, fez uma defesa da hidroxicloroquina no Senado, enquanto a infectologista Luana Araújo disse em depoimento que o tratamento precoce, por não ter eficácia, se trata de uma “discussão delirante”.

Além disso, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) quer dar continuidade às investigações da Prevent Senior, que começaram na CPI da Pandemia. A Alesp pretende criar uma CPI própria para isso.

O caso da operadora de saúde envolve a denúncia do uso em massa da hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19 e a ocultação de óbitos. A Câmara Municipal de São Paulo também instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a empresa.

Congresso Nacional

A divisão de posicionamentos da área médica também chegou ao Poder Legislativo. A Frente Parlamentar da Medicina na Câmara dos Deputados terá agora uma espécie de concorrente, pois a AMB decidiu estruturar uma assessoria parlamentar própria, para atuar de forma independente dentro do Congresso Nacional.

A CNN pediu entrevistas ao CFM e ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Ambos se negaram a participar da reportagem.

Também oferecemos a possibilidade de que se pronunciassem por meio de nota, mas até o momento não obtivemos retorno.

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