Uso de hormônios aumenta o risco de câncer de mama? Dr. Kalil explica
Estudo recente indica aumento de 44% no risco de desenvolver a doença em mulheres que fazem reposição hormonal com estrógenos e progestágenos
O uso de hormônios, seja para reposição hormonal ou como método contraceptivo, pode aumentar o risco de desenvolvimento de câncer de mama. Esse foi um dos temas debatidos durante o programa "Sinais Vitais: Dr. Kalil Entrevista" da CNN Brasil do último sábado, (25).
No episódio, Dr. Roberto Kalil recebeu os médicos especialistas Antonio Buzaid, oncologista do Hospital Nove de Julho e Samaritano, e Fabricio Brenelli, mastologista do Hospital Beneficência Portuguesa.
De acordo com Antonio Buzaid, a reposição hormonal que combina estrógenos e progestágenos eleva significativamente o risco da doença. "Uma análise combinada de estudos realizada em 2026 mostrou um aumento de 44% no risco em comparação com a população que não usa essa reposição hormonal", explicou o oncologista.
Por outro lado, a reposição feita apenas com estrógeno (estradiol) não demonstrou aumento no risco de câncer de mama. Em alguns estudos, até indicou redução. "No entanto, esse tipo de reposição só pode ser administrado em mulheres que não possuem útero, pois aumenta consideravelmente o risco de câncer uterino", ponderou Buzaid.
Contraceptivos e seus efeitos
Quanto aos contraceptivos orais e dispositivos como o DIU hormonal (Mirena), o oncologista afirmou que também há aumento do risco de câncer de mama, embora em menor escala, na ordem de 20%. "É um aumento percentual significativo, mas aplicado sobre um número pequeno", esclareceu, usando uma analogia financeira para ilustrar que o impacto real depende da base sobre a qual o percentual incide.
O tempo de exposição aos hormônios é um fator determinante – quanto maior o período de uso, maior o risco. Entretanto, foi ressaltado que os contraceptivos hormonais também oferecem proteção contra outros tipos de câncer, como o câncer de ovário, o que deve ser considerado na avaliação de riscos e benefícios.
Para Buzaid, muitas mulheres se beneficiam da reposição hormonal e se sentem melhor com seu uso. Ele, no entanto, enfatizou a necessidade de desenvolver métodos que não aumentem o risco de câncer ou até mesmo o reduzam no futuro.

