Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Vacinas de RNA mensageiro da Covid-19 são seguras na gravidez, diz estudo

    Imunizantes fabricados pela Pfizer e pela Moderna utilizam essa tecnologia na fabricação

    Vacinação de gestantes contra a Covid-19 no Brasil
    Vacinação de gestantes contra a Covid-19 no Brasil Foto: Governo do Estado de São Paulo

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    As vacinas contra a Covid-19 que utilizam tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), como a da Pfizer e da Moderna, são seguras para uso na gravidez. Gestantes tiveram taxas mais baixas de eventos adversos após a vacinação do que pessoas imunizadas com idade semelhante e não grávidas.

    Os dados são de um amplo estudo canadense publicado na revista científica “Lancet Infectious Diseases” nesta quinta-feira (11). Os cientistas realizaram a análise dos efeitos colaterais da vacina em mulheres grávidas imunizadas e compararam com outros dois grupos: gestantes não vacinadas e mulheres imunizadas que não estavam grávidas.

    “Nos estágios iniciais do lançamento da vacina da Covid-19, houve baixa aceitação da vacina entre as grávidas devido a preocupações com a disponibilidade de dados e a segurança. Ainda há uma absorção abaixo da média entre as mulheres não grávidas em idade reprodutiva”, afirma o cientista Manish Sadarangani, do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil da Colúmbia Britânica, no Canadá.

    De acordo com o especialista, o estudo observacional fornece informações aprofundadas das taxas de eventos adversos à saúde em mulheres grávidas após diferentes esquemas de vacinação contra a doença. “Esta informação deve ser usada para informar as mulheres grávidas sobre os efeitos colaterais que podem ocorrer na semana seguinte à vacinação”, diz Sadarangani.

    Destaques do estudo

    Conduzido pela Rede Nacional de Segurança de Vacinas do Canadá (Canvas, em inglês), o estudo analisou dados de participantes em sete províncias e territórios canadenses entre dezembro de 2020 e novembro de 2021.

    Todas as voluntárias vacinadas foram solicitadas a relatar quaisquer eventos de saúde durante os sete dias seguintes a cada dose da vacina contra o coronavírus. O grupo de gestantes não imunizadas, chamado tecnicamente de “controle”, foi solicitado a registrar quaisquer problemas clínicos nos sete dias anteriores ao preenchimento da pesquisa.

    No total, 191.360 mulheres com idade entre 15 e 49 anos com estado de gravidez conhecido completaram a pesquisa da primeira dose e 94.937 completaram a pesquisa da segunda aplicação.

    No estudo, um “evento de saúde significativo” foi definido como uma situação de saúde nova ou pior que foi suficiente para fazer com que a participante faltasse à escola ou trabalho, necessitasse de consulta médica ou que impedisse as atividades diárias nos sete dias anteriores.

    Já “evento de saúde grave” foi caracterizado como qualquer impacto que tenha resultado em uma consulta ao departamento de emergência ou hospitalização nos últimos sete dias.

    Os pesquisadores verificaram que 4% das mulheres grávidas vacinadas com imunizantes de mRNA, um total de 226, de 5.597, relataram um evento de saúde significativo dentro de sete dias após a primeira dose de uma vacina de mRNA. Após a segunda dose, o índice subiu para 7,3%, como 227 relatos de um total de 3.108 voluntárias.

    De acordo com o estudo, os eventos de saúde significativos mais comuns após a segunda dose em mulheres grávidas foram uma sensação geral de mal-estar, dor de cabeça ou enxaqueca e infecção do trato respiratório.

    Em comparação, 3,2% das participantes grávidas não vacinadas relataram eventos semelhantes nos sete dias anteriores à conclusão da pesquisa.

    No grupo de controle, que inclui mulheres vacinadas que não estavam em gestação, 6,3% relataram um evento de saúde significativo na semana após a dose inicial. Em relação à segunda dose, o índice foi de 11,3%.

    O estudo aponta que eventos graves de saúde foram raros em todos os grupos (menos de 1%) e ocorreram em taxas semelhantes nos três grupos avaliados após a dose um e a dose dois.

    O aborto espontâneo ou morte do feto após 20 semanas de gestação foi o resultado adverso da gravidez mais frequentemente relatado, sem diferença significativa entre as taxas em mulheres vacinadas e não vacinadas.

    Os dados indicam que 2,1% das mulheres grávidas não vacinadas e 1,5% das mulheres grávidas vacinadas sofreram aborto espontâneo ou natimorto dentro de sete dias após a 1ª dose de qualquer vacina de mRNA.

    “A taxa mais baixa de eventos de saúde significativos entre as gestantes vacinadas, em comparação com as não grávidas vacinadas, é inesperada e requer mais pesquisas. Estudos anteriores sobre outras vacinas em mulheres grávidas não relataram, em sua maioria, diferenças significativas nos eventos de saúde entre mulheres grávidas e não grávidas ou encontraram taxas mais altas na gravidez”, diz a pesquisadora Julie Bettinger, autora do estudo e membro do British Columbia Children’s Hospital Research Institute.

    Julie afirma que são necessários mais estudos de vacinas de RNA mensageiro contra outras doenças para identificar se os efeitos colaterais reduzidos observados em mulheres grávidas no estudo atual são uma característica da plataforma de vacina de mRNA ou dessas vacinas específicas.

    Continuidade da pesquisa

    Entre as limitações do estudo, os autores apontam que a maioria das participantes que relataram etnia neste estudo era branca. O que sugere que os dados podem não ser totalmente aplicados a outras populações.

    Além disso, o estudo se concentrou em eventos de saúde ocorridos nos primeiros sete dias após a vacinação. Reações de longo prazo não foram avaliadas na pesquisa, que permanece em andamento.

    “Essas descobertas são consistentes e se somam ao crescente corpo de evidências de que As vacinas de mRNA Covid-19 são seguras durante a gravidez. A vacinação contra Covid-19 entre gestantes continua sendo menor do que entre mulheres não grávidas em idade reprodutiva”, disseram as pesquisadoras Sascha Ellington e Christine Olson, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos.

    “Dados os riscos de doenças significativas e resultados adversos na gravidez, é imperativo que continuemos a coletar e divulgar dados sobre a segurança e eficácia da vacinação na gravidez e incentivar os profissionais de saúde a promover a imunização durante todos os trimestres da gravidez”, completam.