Venda de ivermectina cresce 857% no último ano

Vendas de hidroxicloroquina cresceram 126% entre abril de 2020 e março de 2021

Caixas de ivermectina
Caixas de ivermectina Foto: Divulgação/Prefeitura de Itajaí

Natália André, da CNN, em São Paulo

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A venda de medicamentos sem eficácia comprovada do tratamento da Covid-19 cresceu subitamente nos 12 meses seguintes ao primeiro registro de caso da doença no país. De acordo com a pesquisa do Conselho Federal de Farmácia (CFF), a ivermectina e a hidroxicloroquina foram os mais procurados pelos brasileiros. O crescimento foi de 857%, que equivale a mais de 81 milhões de unidades, e 126%, que são 2,5 milhões de caixas, respectivamente.

A pesquisa mostra que foram parar na casa dos brasileiros 486,5 quilos do vermífugo (ivermectina) e 1,02 tonelada do antimalárico (hidroxicloroquina). O antibacteriano azitromicina também aparece na pesquisa com 71% de aumento nas vendas, que são pouco menos de 42 milhões de unidades e 20,9 toneladas.

Entre abril de 2018 e março de 2019, bem antes da pandemia, portanto, a compra de ivermectina chegou a 7,6 milhões de unidades; de hidroxicloroquina, foram 912 mil caixas; e de azitromicina foram 21,4 milhões de unidades.

O Conselho levantou os dados com ajuda da consultoria IQVIA para o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, 5 de maio. Segundo o CFF, “a pandemia deflagrou uma epidemia de uso irracional de medicamentos”. O monitoramento está sendo feito mensalmente desde março do ano passado.

Além dos danos à saúde causados pelo consumo desenfreado e sem a devida orientação, o Conselho tem outras duas novas preocupações: o descarte incorreto das sobras e os medicamentos vencidos. Para tentar combatê-los, o CFF está lançando uma campanha para conscientizar sobre os riscos do descarte em lixo comum, na pia e no vaso sanitário. A substância, dessa forma, volta à natureza em forma ativa e pode contaminar o lençol freático.

Em relação aos remédios que ficam esquecidos em casa, o Conselho alerta que, historicamente, as vítimas mais frequentes de intoxicações por medicamentos são as crianças.

Comprimidos de cloroquina produzidos pelo Exército brasileiro
Comprimidos de cloroquina produzidos no Laboratório Químico Farmacêutico do Exército brasileiro
Foto: LQFex/Exército Brasileiro (31.mar.2020)

 

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