Voluntária que já tomou 2 doses da vacina de Oxford conta como se sente

Andréa de Araújo Soares Mansinho contou à CNN participação em estudo que desenvolve imunizante contra Covid-19

Da CNN

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A Anvisa aprovou a retomada dos testes em brasileiros com a vacina de Oxford produzida pelo laboratório AstraZeneca após a universidade britânica anunciar, no sábado (12), que voltará a imunizar voluntários. Os testes clínicos foram suspensos no início da semana passada após uma pessoa apresentar reação adversa séria.

Andréa de Araújo Soares Mansinho está entre os 5 mil voluntários que participam da pesquisa no Brasil. À CNN, ela contou que teve medo quando soube da paralisação do estudo, pois já recebeu duas doses da vacina.

O retorno dos testes, no entanto, a deixou mais confiante na seriedade da pesquisa.

“Eu já tomei a segunda dose [da vacina de Oxford], anteriormente seria só uma, mas ampliaram para duas. Quando eles viram que tinha uma situação que estava fora da conformidade científica, eles interromperam para que pudessem avaliar se tinha relação com a vacina. A partir do momento que eles estão retomando, a gente se sente seguro. É uma confiança na ciência e na produção científica”, disse.

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Andréa é profissional de saúde, grupo prioritário na etapa atual dos estudos de Oxford. “Na fase 3, eles querem avaliar a eficácia da vacina e conseguimos isso com pessoas que estão expostas à infecção. Os profissionais que trabalham dentro do ambiente hospitalar estão todos os dias convivendo com a infecção”, explicou. 

Ela disse que teve sintomas leves, como dor no corpo e de cabeça, após receber a primeira dose do imunizante, mas a segunda aplicação não teve reações além de dor no local da injeção. Andréa será acompanhada pelos pesquisadores até junho de 2021.

“Ao longo desse ano, teremos encontros presenciais cada vez mais espaçados”, disse explicando que o contato, atualmente, é feito principalmente via mensagens em aplicativos, mas ela faz exames regulares com coleta de sangue.

João Prats, infectologista
O infectologista João Prats explicou etapas e processos de segurança de estudos com vacinas (13.set.2020)
Foto: CNN Brasil

O infectologista João Prats, do hopistal Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirmou que estudos para vacinas contam com um grupo de segurança independente para analisar todas etapas e possíveis adversividades da droga. Quando há alguma ocorrência inesperada, é desse grupo que parte a iniciativa de suspenser a pesquisa para a reavaliação dos dados.

“Existe uma comissão independente de segurança, um grupo à parte que analisa a segurança do estudo o tempo todo. [Em caso de reação adversa], essa comissão revê todo mundo que já tomou a vacina, se já teve algum sinal ou evidência de outros eventos como esse. Uma vez que é concluída a análise de segurança, isso torna o estudo mais seguro e ético, independente da opinião dos pesquisadores. Isso reforça ainda mais a segurança e preocupação com a ciência de qualidade nesse momento”, disse.

(Edição: Marcio Tumen Pinheiro)

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