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    Injeção contra obesidade: medicamento custa R$ 7 mil nos EUA e ainda não tem preço no Brasil

    Ainda não há uma data definida para que o medicamento chegue ao mercado, de acordo com a farmacêutica Novo Nordisk; valor de tabela do nos Estados Unidos é de US$ 1.349, cerca de R$ 7 mil

    Segundo dados da World Obesity Federation, existem 764 milhões de pessoas vivendo com obesidade no mundo
    Segundo dados da World Obesity Federation, existem 764 milhões de pessoas vivendo com obesidade no mundo Pixabay

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no início da semana a primeira injeção contra a obesidade. O medicamento semaglutida, com nome comercial de Wegovy, é indicado para o tratamento de adultos com sobrepeso e obesidade, a partir de uma aplicação semanal. O valor de tabela do Wegovy nos Estados Unidos, onde o medicamento é comercializado e foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), é de US$ 1.349, cerca de R$ 7 mil.

    O Novo Nordisk, que é o fabricante nacional, afirma que não há estimativa de preço do Wegovy no país “ainda visto que o mesmo está em definição pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos”.

    A farmacêutica produzirá o medicamento em suas plantas industriais fora do Brasil e será importado. Segundo a empresa, a aprovação pela Anvisa é o primeiro passo para o lançamento do medicamento no país.

    Consultada pela CNN, a empresa afirmou que ainda não há uma data definida para que o medicamento chegue ao mercado.

    “Após a análise de conformidade pela Anvisa, deve-se aguardar a finalização de outros processos, como a definição de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos e mesmo logísticos”, diz a Novo Nordisk.

    A CNN consultou o Ministério da Saúde sobre a incorporação do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

    Em nota, o ministério afirmou que a inclusão de novas terapias e tratamentos no SUS é avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que atua sempre que demandada, considerando aspectos como eficácia, acurácia, efetividade e segurança.

    “Até o momento, não há solicitações para avaliação de incorporação do medicamento semaglutida 2,4mg (Wegovy). Cabe ressaltar que o SUS oferece assistência integral às pessoas com sobrepeso e obesidade, com atividades preventivas de vigilância alimentar, acompanhamento nutricional, além de assistência clínica e cirúrgica, como cirurgia bariátrica e reparadora para correção do excesso de pele”, disse o ministério.

    Tratamento complementar

    De acordo com a Anvisa, a semaglutida é indicada como um tratamento complementar a uma dieta hipocalórica e exercício físico aumentado para controle de peso, incluindo perda e manutenção de peso.

    O uso recomendado é para indivíduos adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) inicial de: ≥ 30 kg/m2 (obesidade), ou ≥ 27 kg/m2 a < 30 kg/m2 (sobrepeso) na presença de pelo menos uma comorbidade, como por exemplo, disglicemia (pré-diabetes ou diabetes tipo 2), hipertensão, anomalias nos níveis de lipídios no sangue, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular.

    O Wegovy atua na modificação de um receptor específico, GLP-1 (GLP-1 RA), com 94% de semelhança com o hormônio humano GLP-1 que é produzido naturalmente. A molécula induz a perda de peso, reduz a fome, aumenta a sensação de saciedade, contribuindo para que o indivíduo coma menos e, consequentemente, reduza a
    ingestão calórica.

    O medicamento tem posologia inicial de 0,25mg, uma vez por semana, e deve ser ajustado gradualmente ao longo de um período de 16 semanas, até atingir a dose de manutenção recomendada de 2,4mg uma vez por semana.

    Contexto de autorização da Anvisa

    A autorização da Anvisa teve como base resultados do programa de ensaios clínicos STEP (Semaglutide Treatment Effect in People with Obesity), onde foi revelado que pacientes que utilizaram a semaglutida (2,4mg) conseguiram uma perda de peso corporal média de 17%, em 68 semanas, contra 2,4% do grupo placebo (que não receberam a susbtância). Os resultados foram publicados no periódico científico JAMA.

    Além disso, um em cada três pacientes perdeu 20% de seu peso corporal e 83,5% dos pacientes alcançaram uma redução de 5% ou mais com a utilização do Wegovy, contra 31,1% para placebo.

    Outro destaque dos estudos é a melhora dos índices cardiometabólicos, como redução da circunferência abdominal, hemoglobina glicada, triglicérides e pressão arterial.

    “Com essa aprovação, entramos oficialmente numa nova era no tratamento da obesidade, com resultados de redução de peso nunca antes vistos”, diz Bruno Halpern, médico endocrinologista e presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

    Estilo de vida

    O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Paulo Miranda, ressalta que a terapia farmacológica deve ter como base mudanças de hábito de vida e acompanhamento médico endocrinológico e de equipe multidisciplinar.

    “O objetivo é que todo o processo de tratamento e controle das comorbidades dos pacientes seja atendida, gerando ganhos de saúde e preservação, com melhoria global do estado geral do paciente e não apenas como a visão numérica de perda de peso ou mesmo estética”, alerta.

    Segundo dados da World Obesity Federation, existem 764 milhões de pessoas vivendo com obesidade no mundo. O documento aponta que, até 2030, uma em cada 5 mulheres e um em cada 7 homens terão obesidade, chegando a 1 bilhão de pessoas com obesidade globalmente.

    No Brasil, a expectativa é que 29 milhões de mulheres, 21 milhões de homens e 7,7 milhões de crianças tenham obesidade até 2030, representando cerca de 30% da população. Atualmente, estima-se que aproximadamente 100 milhões de pessoas tenham sobrepeso e 41 milhões convivam com a obesidade no país.