Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Xilitol: o que é, como é usado e quais são os riscos

    Esse é um tipo de adoçante natural comumente usado como substituto do açúcar, por ter menos calorias e menor índice glicêmico; no entanto, seu consumo em excesso pode trazer riscos

    O xilitol é um álcool de açúcar encontrado naturalmente em alguns alimentos e é usado para adoçar receitas, preparos e bebidas, como um substituto do açúcar
    O xilitol é um álcool de açúcar encontrado naturalmente em alguns alimentos e é usado para adoçar receitas, preparos e bebidas, como um substituto do açúcar carlosgaw/GettyImages

    Gabriela Maraccinida CNN

    Adoçantes naturais são comumente utilizados como substitutos do açúcar refinado e têm ganhado popularidade como uma alternativa para receitas doces com menor risco à saúde. Um deles é o xilitol, um adoçante natural menos calórico que o açúcar, mas tão doce quanto. Frequentemente, ele é utilizado no preparo de chicletes sem açúcar, balas, pasta de dente, enxaguantes bucais e em doces diversos.

    O xilitol é um tipo de carboidrato classificado como um álcool de açúcar e sua estrutura permite que estimulem os receptores gustativos que remetem ao sabor doce na língua. Naturalmente, ele é encontrado em alimentos como couve-flor, berinjela, alface, alface, cogumelos, espinafre, ameixas, framboesas e morangos, porém em quantidades pequenas.

    Já o xilitol em pó, frequentemente encontrado nos supermercados para utilização em receitas, é extraído do milho e sofre modificações químicas pela indústria alimentícia. Ele pode ser utilizado na preparação de receitas doces em versões mais saudáveis e menos calóricas do que as que levam o açúcar refinado em sua composição.

    Quais são os benefícios do xilitol?

    De acordo com Cristiano Merheb, médico com foco em emagrecimento, rejuvenescimento, longevidade e vida saudável, o xilitol é uma boa opção de adoçante natural para pessoas que desejam ou necessitam reduzir o consumo de açúcar sem abdicar do consumo de doces.

    “As pessoas têm uma dependência muito grande do sabor doce. O ideal, em um processo de emagrecimento, é retirar o doce da rotina. Mas, para quem não se adapta a essa mudança, o xilitol pode ser utilizado e é uma das melhores opções entre os adoçantes disponíveis atualmente”, afirma.

    Possui baixo índice glicêmico

    O especialista explica que um dos benefícios do xilitol é seu baixo impacto glicêmico, ou seja, ao ser consumido, ele não leva ao pico rápido de açúcar no sangue — ao contrário do que acontece com o açúcar. Para se ter uma ideia, o índice glicêmico do xilitol (medida de rapidez com que um alimento aumenta a glicemia) é de apenas 7, enquanto o açúcar comum é de 60 a 70.

    “O xilitol não tem nenhum impacto glicêmico do ponto de vista do aumento do açúcar sanguíneo para um posterior aumento da concentração de insulina, que é a grande raiz de todos os problemas relacionados à obesidade”, afirma. Por essa mesma propriedade, o adoçante também tem sido indicado para pessoas com pré-diabetes ou diabetes.

    É menos calórico que o açúcar comum

    O xilitol é menos calórico do que o açúcar comum: enquanto 100 gramas do adoçante possuir cerca de 240 calorias, a mesma quantidade de açúcar possui cerca de 387 calorias. Porém, vale lembrar que seu uso em uma alimentação voltada para o emagrecimento ou para o controle do diabetes deve ser equilibrado e acompanhado de hábitos alimentares saudáveis.

    Pode ajudar a prevenir cáries

    Estudos mostraram que o xilitol pode atuar como anticariogênico, ou seja, pode prevenir a formação de cáries nos dentes — condição que está associada ao alto consumo de açúcar. Inclusive, o adoçante tem sido utilizado pela indústria na fabricação de pastas de dente e chicletes sem açúcar.

    Por outro lado, um estudo publicado em 2015 mostrou que as evidências do seu efeito protetor contra a cárie dentária ainda são limitadas. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores reuniram dados de dez estudos diferentes, totalizando quase 6.000 participantes.

    A pesquisa encontrou evidências de baixa qualidade de que os níveis de cárie dentária eram 13% mais baixos naqueles que usaram um creme dental com flúor contendo xilitol por três anos, em comparação com aqueles que utilizaram pasta de dente comum.

    Como usar o xilitol?

    O xilitol pode ser utilizado como adoçante em qualquer alimento ou bebida, como café, sucos, chás, vitaminas e receitas como bolo, tortas e pudins. Na indústria alimentícia, ele é utilizado na composição de chocolates, gomas de mascar e outros doces industrializados.

    Segundo a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, recomenda o consumo de 60 gramas de xilitol por dia, no máximo.

    Riscos do consumo em excesso

    Apesar dos seus benefícios, o consumo em excesso de xilitol pode trazer riscos à saúde. A curto prazo, o adoçante pode causar sintomas gastrointestinais, de acordo com Merheb. É o caso de desconforto abdominal, cólicas, diarreias e gases. Pessoas com doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a síndrome do intestino irritável, podem apresentar sintomas adversos mesmo com o consumo em pequenas quantidades.

    Recentemente, um estudo publicado no European Heart Journal, mostrou que o alto consumo de xilitol está relacionado ao maior risco de eventos cardiovasculares, como ataque cardíaco e derrame. O resultado foi observado após a análise de mais de 3.000 pacientes dos Estados Unidos e na Europa. Segundo a pesquisa, o consumo em excesso do adoçante leva à coagulação das plaquetas, aumentando, também, o risco de trombose.

    Apesar disso, o consumo de xilitol dentro do limite saudável é considerado seguro. Desde 1963, o adoçante faz parte do grupo de substitutos do açúcar, sendo considerado um aditivo do tipo GRAS (Generally Recognized as Safe), ou seja, “geralmente reconhecido como seguro”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também considera o xilitol seguro para consumo humano.

    Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) expressou “grande preocupação” com o estudo publicado no European Heart Journal e reiterou a importância de se considerar o uso de adoçantes como ferramenta substancial para ajudar as pessoas a reduzirem a ingestão de açúcar e calorias, como parte de uma dieta equilibrada.

    “Importante salientar que os adoçantes são produtos amplamente estudados e considerados seguros pelas agências reguladoras de alimentos ao redor do mundo”, diz a nota.

    A associação afirma que, antes de serem aprovados para uso no mercado pela autoridade regulatória competente — a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), no caso do Brasil –, todos os edulcorantes passaram por criteriosas avaliações e normativas de segurança, atestadas pelos órgãos internacionais reconhecidos e qualificados, como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)/Organização Mundial da Saúde (OMS) – Comitê de Especialistas em Aditivos Alimentares (JECFA).

    “A ABIAD reafirma que os adoçantes estão entre os ingredientes mais pesquisados em todo o mundo e manifesta sua confiança na segurança de seu uso, conforme respaldado pelas agências reguladoras nacionais e internacionais”, completa o comunicado.

    Bebidas com adoçantes artificiais podem aumentar risco de arritmia