Novos mapas revelam detalhes sobre continente submerso perdido da Nova Zelândia

Eles mostram o formato do fundo do oceano e o perfil tectônico da Zelândia

Jessie Yeung, da CNN
23 de junho de 2020 às 08:25
Novos mapas revelaram informações sobre o continente submerso por onde dinossauros já vagaram
Foto: Divulgação / GNS Science

Embaixo da Nova Zelândia, há um vasto continente no fundo do mar. Antes parte da mesma porção de terra que a Antártica e a Austrália, o continente perdido da Zelândia se partiu há 85 milhões de anos e afundou no oceano, onde ficou por escondido por séculos.

Agora, novos mapas revelaram informações sobre a terra submersa por onde dinossauros já vagaram. As projeções permitem que o público explore o local virtualmente.

O instituto de pesquisa neozelandês GNS Science publicou dois novos mapas e um site interativo nessa segunda-feira (22). Os mapas mostram o formato do fundo do oceano e o perfil tectônico da Zelândia, que, juntos, ajudam a contar a história das origens do continente.

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Os mapas também ajudam a explicar o cenário dos vulcões, bacias sedimentares e outras características geológicas da Nova Zelândia, informou o GNS Science em um comunicado.

Diversas pessoas pelo mundo podem explorar o continente, de suas próprias casas, graças ao site interativo. Por exemplo, é possível localizar todos os vulcões antigos e modernos do continente ou ver onde há picos de massa terrestre se formando.

“Esses mapas são uma referência científica, mas eles também são mais do que isso. São um modo de divulgar nosso trabalho aos nossos colegas, acionistas, educadores e ao público”, disse o geólogo Nick Mortimer, principal autor dos mapas, no comunicado.

“Fizemos os mapas para fornecer imagens precisas, completas e atualizadas da geologia da Nova Zelândia e do sudoeste do Pacífico, melhores do que as que tínhamos antes”, afirmou ele.

Como o continente afundou

A ideia de um possível continente nessa região existe há algum tempo, e o nome “Zelândia” foi cunhado primeiro pelo geofísico Bruce Luyendyk em 1995.

O estudo dessa área, que tem cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados, mostra que não se trata apenas de um conjunto de ilhas continentais e fragmentos, mas uma crosta continental grande e separada o suficiente para ser declarada oficialmente um continente.

A Zelândia costumava ser parte da Gondwana, supercontinente que abrigava muitos dos continentes que conhecemos hoje, como África e América do Sul.

Há cerca de 85 milhões de anos, a Zelândia se separou da Gondwana. A porção de terra à deriva, com cerca de metade do tamanho da Austrália, foi o lar de dinossauros e de exuberantes florestas tropicais.

Milhões de anos depois, as placas tectônicas do mundo – pedaços da crosta terrestre – começaram a se reorganizar em uma época de mudanças geológicas drásticas, que também deram origem ao Anel de Fogo do Pacífico, cinturão onde estão localizados os vulcões mais ativos do mundo.

Durante esse tempo, acredita-se que a Placa do Pacífico – maior das tectônica do mundo – afundou abaixo da crosta continental da Zelândia. Esse processo, chamado subducção, levou a raiz do continente a se partir e afundar, segundo a Fundação Nacional de Ciência, uma agência de pesquisa do governo dos Estados Unidos.

Cerca de 94% da Zelândia está submersa hoje, mas algumas partes do continente ainda estão acima do nível do mar, formando a Nova Zelândia e outras ilhas pequenas. O ponto mais alto da Zelândia é o Monte Cook/Aoraki, com 3.724 metros.

Ainda há muito a se descobrir sobre o continente e se as novas informações sobre a Zelândia podem alterar os modelos climáticos históricos. Com o surgimento de mais pesquisas, o site interativo e os mapas serão atualizados para mostrar o que sabemos, disse o GNS Science.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês.)