Golpes bancários aproveitam a sensibilidade durante pandemia, dizem executivos


da CNN, em São Paulo
24 de junho de 2020 às 17:03 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 17:19
Imagem ilustrativa de segurança na internet

Imagem ilustrativa de segurança na internet

Foto: The Digital Way/Pixabay

Os fraudadores têm se aproveitado da maior sensibilidade da população durante a pandemia da Covid-19 para aplicar novos golpes bancários, disseram os executivos participantes do painel "Tentativas de fraudes e ameaças cibernéticas durante a crise" no Ciab Febraban nesta quarta-feira (24).

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Adriano Volpini, chefe de segurança corporativa do Itaú Unibanco; Bruno Fonseca, superintendente-executivo de prevenção a fraudes do Bradesco; Álvaro Teófilo, chefe de Segurança do Santander Brasil; e Jorge Krug, chefe de TI (Tecnologia da Informação) do Banrisul, disseram concordar que a estrutura da tecnologia para combater fraudes bancárias é muito avançada, mas ainda há uma jornada para conscientizar o cliente dos perigos digitais. A conversa foi mediada por Leandro Vilain, diretor de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Febraban.

"Hoje, infelizmente, os clientes fazem a fraude a pedido do fraudador", disse Fonseca, do Bradesco. "Não temos problemas com criptografia, segurança. É o próprio cliente que aceita os comandos. São fraudes de engenharia social".

Para Volpini, do Itaú, a pandemia evidenciou que o investimento intensivo do setor em tecnologia para evitar esse tipo de crime foi tão certeiro que "encurralou os fraudadores para que dessem foco no cliente".

"Isso se materializou de forma mais evidente durante a pandemia, com uma quantidade maior de clientes digitais", disse. "Os clientes em casa e com maior sensibilidade para o tema do isolamento ficam mais suscetíveis a receber propostas como a de alguém ir buscar na casa um cartão, computador, celular, ou de aceitarem uma ajuda".

Teófilo, do Santander, contou que entre março e abril, houve uma explosão na disponibilidade de aplicativos falsos, principalmente para Android, que poderiam comprometer dados bancários.

Krug, do Banrisul, disse que a inserção da população de forma rápida nos canais digitais chamou a atenção dos fraudadores.

"A tecnologia já está muito bem estruturada. Como fazemos essa conscientização chegar ao cliente?", perguntou.

Fonseca disse que a conscientização é a "principal chave para evoluir" no assunto, mas citou que ainda há entraves para identificar e punir os crimes desse tipo. Ele também disse que até os chamados nativos digitais têm de tomar cuidado.

"A fraude é tão complexa que até quem está familiarizado acaba caindo em fraudes de WhatsApp, de cartão", disse.

Os executivos recomendaram que os clientes se informem sobre quais são os canais de comunicação do banco, e lembraram que as instituições nunca pedem para retirar o cartão em domicílio para averiguação.

"Nossa grande missão é ajudar o cliente a ter conhecimento de como se comportar no mundo digital, não só nos canais bancários, mas em relação a seus dados e equipamentos", afirmou Volpini.

Velocidade

No segundo bloco, o debate foi sobre como garantir a segurança da informação na internet no momento em que os dados aumentam em quantidade e ganham velocidade. Além de Volpini, do Itaú, participaram Fabrizio Pinna, superintendente-executivo do Bradesco, e Ednaldo Oliveira, gerente nacional de Segurança Tecnológica da Caixa. 

Segundo Volpini, o cliente tem uma "expectativa de simplicidade e agilidade muito grande" ao mesmo tempo em que o fluxo de informações cresce. Para ele, o desafio é disponibilizar e gerenciar estes dados com segurança.

Oliveira descreveu o momento como uma "travessia" em que é necessário conciliar comodidade e segurança para o cliente. Ele contou que a abertura de dezenas de milhões de contas digitais para o pagamento do auxílio emergencial alertou a Caixa para a necessidade de trazer o cliente para a cultura de segurança usada pelo banco.

Pinna disse que "o banco precisa estar disponível em qualquer situação", e que simplesmente fechar os sistemas como medida de segurança não é uma alternativa. "Se eu fecho tudo, eu leso o cliente que precisa fazer a transação", disse.

Assim como Álvaro Teófilo, do Santander, na primeira parte do painel, os três debatedores do segundo bloco citaram a existência de apps e links falsos como um problema relevante para a segurança das transações bancárias na internet.

"Tivemos derrubar mais de 60 apps falsos, emails com informações inverídicas, derrubar sites que utilizavam a nossa marca", disse Oliveira, da Caixa. "Os fraudadores aproveitam o momento de pandemia."

Segundo Pinna, o Bradesco identificou aumento de 10% em apps falsos entre março e abril. Já Volpini falou em uma proliferação "assustadora" de links falsos nas redes sociais.

O trio também destacou a importância da cooperação entre as instituições financeiras como forma de avançar no combate a fraudes online e melhorar a segurança das transações via internet. Para Oliveira, o intercâmbio de conhecimento serve para o sistema [bancário] como um todo.

"Quando você compartilha rapidamente as informações, ha um ganho substancial para todo o sistema", afirmou Volpini, do Itaú, que cobrou mais rigor na punição de fraudes no meio digital no Brasil. "A certeza da impunidade gera um impulso maior para que o crime aconteça."