Fóssil de inseto de 115 milhões de anos é apresentado por pesquisadora do ES


Gabriel Passeri*, da CNN, em São Paulo
28 de outubro de 2020 às 23:38
fóssil inseto

 

Foto: Divulgação

Um raro fóssil de inseto, com aproximadamente 115 milhões de anos, foi apresentado nesta quarta-feira (28) à comunidade científica pela bióloga Arianny Storari, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

A nova espécie Incogemina nubila, incluída na família Oligoneuriidae, foi descoberta no Ceará e estudada pela pesquisadora durante seu mestrado.

Trata-se do primeiro fóssil de um adulto dessa família a ser descrito no mundo. “Apenas foi citado por um pesquisador alemão, mas a nossa descrição é a primeira”, afirma a pesquisadora.

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Além da importância histórica do achado, sua descoberta permite a análise da evolução da família ao longo dos anos.

O fóssil foi encontrado na unidade geológica denominada Formação Crato, no município de Nova Olinda, no sul do Ceará. Considerado raro, o inseto é um representante da ordem Ephemeroptera, ou efêmeras, que são insetos voadores que vivem poucos dias durante a vida adulta e são aquáticos na fase larval.

Segundo os pesquisadores, a rocha onde o fóssil foi encontrado é datada do Cretáceo Inferior, entre 113 e 125 milhões de anos atrás, quando a África e a América do Sul ainda estavam se separando.

“A descoberta desse fóssil permite estudos sobre características desse período, quando os continentes ainda estavam no processo de separação. Nesse local, foi formada uma grande lagoa”, afirmou Taissa Rodrigues, orientadora da dissertação de Arianny.

O nome Incogemina nubila refere-se ao padrão das veias nas asas do inseto, uma das características que torna essa nova espécie única. O termo nubila significa nublado, pela coloração acinzentada do calcário onde o fóssil se preservou.

“A distribuição das veias combina um padrão representativo da família [Oligoneuriidae] com um padrão ancestral”, afirmou Arianny Storari. Segundo a pesquisadora, o número de veias nas asas foi sendo reduzido ao longo da evolução.

A raridade desses fósseis, de acordo com Arianny, deve-se ao hábito de vida da família Oligoneuriidae. “Durante a fase jovem, esses insetos são aquáticos e vivem em locais com intenso fluxo de água corrente, não sendo propícios para preservação de um fóssil com estrutura sensível”, afirmou.


(*Supervisão Sinara Peixoto)