Planeta "rebelde" do tamanho da Terra é descoberto na Via Láctea

Astrônomos poloneses da Universidade de Varsóvia anunciaram, nesta quinta-feira (29/10), a descoberta do menor planeta flutuante encontrado até hoje

Giulia Alecrim*, da CNN, em São Paulo
30 de outubro de 2020 às 17:31 | Atualizado 30 de outubro de 2020 às 17:45
Planeta do tamanho da Terra é localizado por cientistas
Foto: Jan Skowron / Astronomical Observatory, University of Warsaw

Astrônomos poloneses da Universidade de Varsóvia anunciaram, nesta quinta-feira (29), a descoberta do menor planeta flutuante encontrado até hoje.

Do tamanho da Terra, ele foi observado vagando pela Via Láctea. A denominação “flutuante” pode ser explicada pela baixa massa planetária e pelo fato de viajarem sozinhos pelo espaço, longe da luz de uma estrela - uma razão para serem raramente observados. 

De acordo com a equipe do Observatório Astronômico da Universidade, a galáxia pode estar repleta destes tipos de planetas, também chamados de “rebeldes”. Enquanto flutuam, eles podem desviar e focar a luz de uma estrela ao passar perto dela. Por um momento, devido à imagem distorcida, a estrela parece temporariamente muito mais brilhante - o que auxilia na descoberta do planeta. Nesta descoberta em específico, a estrela observada emitiu um brilho maior por um período de 42 minutos.

Outro motivo para a dificuldade na detecção deste tipo de planeta é que eles praticamente não emitem radiação, portanto não podem ser descobertos usando métodos tradicionais. Para identificá-los, é necessário usar a microlente gravitacional, capaz de dobrar a luz de um objeto (no caso, estrelas distantes) e facilitar sua visualização. Esse tipo de lente é um fenômeno astronômico, descoberto por meio da teoria geral da relatividade, de Albert Einstein.

“As chances de observar microlentes são extremamente reduzidas porque três objetos - fonte (luz), lente e observador - devem estar quase perfeitamente alinhados. Se observássemos apenas uma estrela fonte, teríamos que esperar quase um milhão de anos para ver a fonte sendo microlente ”, explica o Dr. Przemek Mróz, estudante de pós-doutorado no Instituto de Tecnologia da Califórnia e um dos principais autores do estudo.

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De acordo com o Dr. Thiago Signorini Gonçalves, astrônomo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenador da comissão de imprensa da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), as microlentes são criadas pelo próprio planeta. “Ele distorce o espaço-tempo ao seu redor. É esse espaço curvo que age como uma lente, curvando a luz que passa por ali”, disse à CNN.

Os astrônomos do Observatório de Varsóvia suspeitam que os planetas flutuantes eram, na verdade, comuns, mas que foram  ejetados de seus sistemas planetários originais após interações gravitacionais com outros planetas no sistema. Portanto, o estudo e a descoberta desses planetas auxilia na compreensão do passado de sistemas planetários jovens, como o nosso sistema solar. 

"Até agora a nossa detecção de planetas semelhantes à Terra estava restrita aos objetos que orbitavam estrelas. Esse trabalho foi o primeiro a encontrar um planeta rochoso vagando pela galáxia sem uma estrela hospedeira, abrindo as portas para um novo tipo de busca por planetas semelhantes à Terra", informou o Dr. Thiago Gonçalves à CNN.

*sob supervisão de Evelyne Lorenzetti