Tinder vai expor antecedente criminal como tentativa de proteger usuárias

Match Group, dono da plataforma, pretende reduzir golpes e, principalmente, casos de violência contra as mulheres facilitados pelos aplicativos de paquera

Raphael Coraccini, colaboração para a CNN
17 de março de 2021 às 11:54
Aplicativo Tinder no celular
Aplicativo Tinder no celular
Foto: Mike Blake/Illustration/Reuters

O Tinder está dedicado a reduzir os temores de seus usuários - principalmente, mulheres - sobre crimes e golpes facilitados pela plataforma. O aplicativo de relacionamento vai permitir que as pessoas tenham acesso aos antecedentes criminais de outros usuários dentro da plataforma. Inicialmente, o recurso ficará disponível nos Estados Unidos.

E não vai ser só esse aplicativo a lançar essa possiblidade. Outros como o OkCupid, que também pertence ao Match Group, vão dar acesso ao histórico das pessoas com a polícia. O grupo empresarial afirma que a iniciativa tem a intenção de reduzir o número de golpes e crimes, especialmente contra públicos mais vulneráveis. "Por muito tempo, mulheres e grupos marginalizados em todos os cantos do mundo enfrentaram com a ausência de recursos voltados à segurança", disse Tracey Breeden, chefe de segurança e defesa social do Match Group, em comunicado.

Com a novidade, os usuários terão acesso ao histórico de crimes relacionados a atos, acusações e condenações por violência, roubos, ordens de restrição, assédio e demais crimes contra a integridade física e contra a vida.

A exposição dos antecedentes criminais será possível graças a uma parceira do Match Group com a Garbo, organização americana sem fins lucrativos que desenvolve um sistema de verificação de antecedentes criminais por meio do telefone e do nome da pessoa.

A Garbo foi fundada por mulheres e, principalmente, para mulheres com a intenção de dar informações sobre as pessoas com as quais se relacionam. “Antes da Garbo, os abusadores podiam se esconder atrás de registros públicos caros e de difícil acesso. Agora, isso ficou mais difícil", disse Kathryn Kosmides, fundadora e CEO da Garbo.

A ONG diz que são deixados de fora do levantamento de antecedentes relacionados ao uso, porte ou venda de drogas. A ONG afirma que essa decisão tem uma preocupação social, já que pessoas negras estão mais sujeitas a esse tipo de acusações. “A Garbo trabalha em estreita colaboração com grupos de igualdade racial e justiça de gênero, sabendo que há desigualdade nas experiências das pessoas negras no sistema jurídico penal e em toda a sociedade”, afirma Kosmides.

Versão paga

Há ainda um empecilho fundamental para a popularização da opção de acesso a antessentes criminais, ela é paga e só está disponível para usuários da versão premium do aplicativo. O grupo dono do Tinder afirma que está trabalhando junto com a ONG para baratear a aplicação e dar acesso ao maior número de usuários.

A medida pode ser tardia contra o aumento de casos de violência em encontros concretizados via aplicativo. A secretaria do Estado de São Paulo divulgou um crescimento de 250% em boletins de ocorrência por conta dos encontros via aplicativo que terminaram mal de alguma forma. Os números são pré-pandêmicos, entre 2014 e 2018.

A maior vítima dos crimes são mulheres. Um levantamento feito pela agência Gênero e Número apontou que a maioria dos crimes está relacionada a difamação e ameaças, mas há casos de estupro e lesão corporal.

A empresa confirmou apenas os Estados Unidos como país a ser contemplado pela novidade ainda este ano. Os testes começarão nos próximos meses.