Alexa, inteligência artificial da Amazon, simula Síndrome de Burnout

Doença é provocada por tensões negativas e pode gerar desânimo e cansaço constante; Alexa fará alerta sobre a síndrome de forma inédita

Paula Forster e Talis Maurício

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A arquiteta e influenciadora digital Dudi Duarte é jovem e bem sucedida, mas alguma coisa não estava indo bem em meio à pandemia da Covid-19. “Sempre fui apaixonada pela minha profissão, só que nesse período não estava mais querendo estar lá, fazer o que eu sempre fiz. Comecei a me sentir triste, irritada e não tinha ânimo de trabalhar”, comenta.

Em um primeiro momento, Dudi achou que era apenas estresse. “O ponto final da doença foi quando se manifestou no físico. Eu tive uma reação que se parece ao AVC. Meu rosto paralisou, o corpo inteiro tremia, a sobrancelha mexia involuntariamente… Estava no meio de um restaurante, tinha recebido a mensagem de um cliente e fiquei tão nervosa que isso aconteceu”, explica.

 

Instruções sobre como usar o assistente pessoal Alexa da Amazon
Instruções sobre como usar o assistente pessoal Alexa da Amazon são vistas em um ‘centro de experiência’ da Amazon em Vallejo, Califórnia, EUA
Foto: Elijah Nouvelage/Reuters

Quando foi ao psiquiatra recebeu o diagnóstico: estava com Síndrome de Burnout.

Para alertar sobre uma doença ainda desconhecida, mas bastante comum na população mundial, a Amazon e a Associação Brasileira de Psiquiatria estabeleceram uma parceria e, nesta terça-feira (9), de forma inédita, o “tudo bem” para a Alexa, inteligência artificial da Amazon, vai surpreender os usuários.

A resposta, que sempre foi a mesma no Brasil e no mundo, vai mudar para: “Oi… ah, tudo bem. (suspiro). Sei lá, acho que, sim, tô bem (pausa). Na verdade, estou bem sim. E você, já se perguntou como você está? Porque em tempos de home office, nem sempre a gente presta atenção, mas desânimo e cansaço constante podem ser sintomas da Síndrome de Burnout. Se quiser saber mais sobre isso, me pergunte o que é a Síndrome de Burnout.”

Hoje, Dudi está recuperada. “Tirei um tempo pra mim, para viajar, esfriar a cabeça e me fez super bem. Não precisei continuar tomando medicamentos. Comecei a praticar meditação, ficar mais tempo com pessoas que eu amava… Consegui sair da doença fazendo coisas que eu amo durante um mês”, explica.

Por causa da pandemia, a psicóloga Adriana Severine vem recebendo um número elevado de pacientes com sintomas da doença. Segundo ela, o home office unificou o trabalho e lazer, com sobrecarga de atividades, uma equação perigosa. “A gente ainda não tem dados, mas com certeza aumentou a Síndrome de Burnout. A gente fala: ‘não tenho nada mais para fazer, vou trabalhar mais um pouquinho. Eu vou me pressionando e fazendo mais coisas, sem perceber que preciso de lazer, fazer uma corrida, uma caminhada, sair um pouco dessa rotina de trabalho, sair dessa esfera de trabalho 24 horas. É preciso colocar limite: eu tenho hora para começar e hora para terminar. Antes a gente tinha esse horário: tinha uma academia pra ir, um happy hour”, explica.

 

Sobre a doença

Segundo Ana Maria Rossi, presidente da ISMA-BR (International Stress Management Association BR) há diferença entre estresse e Síndrome de Burnout. “Estresse é qualquer situação que requer uma adaptação, portanto pode ter caráter positivo – o nascimento de um filho – ou negativo – a morte de alguém. Já Burnout é sempre negativo e está associado à população economicamente ativa. Não vemos a doença se manifestar em crianças e aposentados, por exemplo”, explica.

De acordo com dados recentes da ISMA BR, 72% dos brasileiros no mercado de trabalho sofrem com alguma sequela de estresse e 32% têm Burnout. “O Brasil está em nível bem mais alto do que os demais países. Na Inglaterra, por exemplo, 20% da população têm diagnóstico da doença e nos Estados Unidos são 24%. E, talvez, esse número já nem reflita a condição dos trabalhadores de hoje, neste novo contexto da pandemia”, diz Ana Maria Rossi.

Os principais sintomas de Burnout são desânimo, cansaço físico e mental, irritabilidade, agressividade, tristeza, baixa autoestima, insônia e até dores musculares. Quando não tratada, a síndrome pode levar à depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia.

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