Aposta da Samsung no futuro dos smartphones desafia a Apple

Marca anunciou três novos celulares dobráveis para popularizar o que a empresa acredita ser o futuro dos smartphones

Lisa Eadicicco, da CNN
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O novo Galaxy Z Fold 7, de US$ 2.000 (cerca de R$ 10.900), o Galaxy Z Flip 7, de US$ 1.100 (por volta de R$ 6.650), e o Galaxy Z Flip 7 FE, de US$ 900 (aproximadamente R$ 4.900), serão lançados em 25 de julho, nos Estados Unidos, com pré-vendas iniciando em 9 de julho.

Enquanto isso, a Samsung enfrenta uma concorrência crescente de rivais do Android e se prepara para a possível chegada do primeiro iPhone dobrável da Apple.

Os celulares dobráveis ​​da Samsung oferecem mais uma oportunidade de competir com o iPhone no mercado de smartphones premium, uma categoria que a Apple normalmente domina.

Embora rumores sobre um iPhone dobrável circulem há anos, a Apple ainda não lançou um ou manifestou publicamente a intenção de fazê-lo.

A Samsung investiu mais de meia década para convencer os consumidores sobre celulares que podem ser dobrados ao meio, funcionando tanto como tablet quanto cabendo com mais facilidade no bolso. É uma jogada para revigorar o interesse por novos tipos de celulares — os smartphones tradicionais já amadureceram, ganhando poucos recursos notáveis a cada ano e deixando o consumidor com pouco incentivo para trocar de aparelho.

Mas, embora a Samsung seja amplamente considerada líder do mercado, os dobráveis ainda são difíceis de vender; eles representam menos de 2% do mercado total de smartphones, segundo estimativas da International Data Corporation e da Counterpoint Research. E o preço continua sendo um dos maiores desafios para atrair novos consumidores. O total de unidades de celulares dobráveis despachadas deve chegar a 45,7 milhões até 2028, segundo estimativas da IDC, ficando atrás dos 1,2 bilhão de smartphones enviados em 2024.

O novo trio de dobráveis é a mais recente tentativa da Samsung de mudar esse cenário.

“Acreditamos que agora, com o lançamento do Fold 7 e do Flip 7, estaremos próximos do ponto de inflexão para alcançar o mercado mainstream”, disse Won-joon Choi, diretor de operações do negócio de experiência móvel da Samsung, por meio de um tradutor em entrevista à CNN antes do lançamento dos produtos.

O que há de novo nos dobráveis da Samsung

A gigante sul-coreana de tecnologia aposta que pode conquistar consumidores com designs mais finos e telas maiores.

O Galaxy Z Fold 7 é mais leve que o Galaxy S25 Ultra, da própria Samsung, que não é dobrável, e tem uma tela interna de 8 polegadas, contra as 7,6 polegadas do modelo anterior. O novo celular flip da Samsung possui uma tela externa maior de 4,1 polegadas que cobre toda a frente do aparelho quando fechado, e uma tela interna ligeiramente maior, de 6,9 polegadas.

Combinadas, essas mudanças fazem o Galaxy Z Fold 7 e o Galaxy Z Flip 7 se parecerem mais com celulares tradicionais quando usados no “modo barra” — ou seja, quando o Galaxy Z Fold está fechado e o Galaxy Z Flip está aberto.

“Obviamente, isso não surgiu em apenas um ano”, disse Choi. “É algo em que estamos trabalhando há bastante tempo, e envolve novas peças e também novos materiais.”

Ambos os celulares também incluem novos processadores, embora a Samsung esteja se afastando da sua estratégia usual de usar o mesmo chip nos dois dobráveis. Por razões de cadeia de suprimentos, a Samsung usa um chip Qualcomm no Galaxy Z Fold 7 e um chip Exynos da própria Samsung no Z Flip 7.

A Samsung também está lançando pela primeira vez uma versão mais barata do seu celular flip chamada Galaxy Z Flip 7 FE, que tem design semelhante ao dos flips mais antigos da Samsung e um processador mais antigo. Porém, o Galaxy Z Fold 7 é US$ 100 (cerca de R$ 546) mais caro que o modelo do ano passado, o que a empresa atribui a mudanças no hardware, como design mais fino e câmera de maior resolução, e não a tarifas.

Embora se esperasse que os celulares dobráveis ficassem mais baratos com o tempo, isso não é mais o caso, segundo Francisco Jeronimo, analista de dispositivos móveis para a região EMEA na IDC. Ele disse que fabricantes como a Samsung estão apostando nos dobráveis para competir com o iPhone no segmento premium do mercado de smartphones.

“Eles não estão realmente reduzindo os preços, o que era algo esperado, mas perceberam que, apesar de venderem em volumes pequenos, estão fazendo um bom dinheiro com isso”, afirmou.

Um aparelho como o Galaxy Z Fold 7, por exemplo, pode atrair consumidores que, de outra forma, optariam pelo iPhone 16 Pro Max, o maior celular vendido pela Apple.

Os dobráveis são o único produto Android sem uma alternativa da Apple — e há dados que sugerem que ao menos alguns donos de iPhone estão mudando.

No trimestre encerrado em março, 8% dos consumidores dos EUA que compraram um celular dobrável haviam migrado de um iPhone, segundo dados da Consumer Intelligence Research Partners fornecidos à CNN. Choi também disse que a taxa de troca, ou seja, pessoas que migraram para um celular Samsung vindo de outro Android ou iPhone, é maior para os dobráveis do que para os celulares tradicionais.

Espera-se que a Apple lance seu primeiro celular dobrável em 2026, segundo a Bloomberg e o analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities, embora a Apple não tenha mencionado planos para lançar tal aparelho.

A Apple não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da CNN sobre os rumores do celular dobrável.

Quando questionado sobre especulações da Apple entrar na categoria de dobráveis, Choi respondeu: “Nós receberíamos isso de braços abertos".

Samsung enfrenta mais competição do que nunca

A Samsung lançou seu primeiro celular dobrável em 2019 e, desde então, tem mantido em grande parte a liderança do mercado. Mas a empresa enfrenta uma concorrência mais acirrada de marcas chinesas como Huawei, Vivo e Honor, que dominam as vendas na China — o maior mercado para celulares dobráveis, segundo a Counterpoint Research.

Poucos dias antes da Samsung anunciar seu novo trio de dispositivos, a Honor lançou um celular dobrável fino chamado Magic V5.

A Huawei também superou a Samsung em 2024, ao lançar um novo tipo de celular dobrável que se dobra em dois pontos, como um sanfona, proporcionando uma tela ainda maior, quase do tamanho de um iPad quando totalmente aberto. A Samsung mostrou dispositivos conceituais similares em feiras, mas ainda não transformou esses protótipos em produtos reais.

Choi afirmou que a Samsung tem um novo estilo de aparelho “que pode ser lançado em breve no mercado”, embora tenha se recusado a revelar detalhes ou datas específicas.

Por enquanto, a Samsung aposta em atualizações de hardware e inteligência artificial para diferenciar seus celulares da crescente concorrência. A empresa trabalhou com o Google para otimizar o assistente Gemini para as telas pouco convencionais do aparelho. O Gemini Live, recurso que permite aos usuários conversar com o assistente de IA do Google, está agora disponível na tela externa do Z Flip 7, diferente dos flips anteriores da Samsung. O Gemini também pode funcionar em múltiplas janelas na tela do tamanho de tablet do Z Fold 7.

A Samsung planeja colaborar com outras empresas de IA além do Google, disse Choi, embora não tenha nomeado parceiros específicos. A Bloomberg noticiou no mês passado que a Samsung está perto de fechar um acordo com o motor de busca de IA Perplexity.

Choi vê uma mudança maior chegando aos smartphones no futuro, envolvendo agentes de IA para realizar tarefas — como assistir a um filme, compartilhar uma receita ou reservar férias — em vez de pular entre aplicativos. A empresa está trabalhando com parceiros do setor para direcionar seu software nessa direção.

“Não sei quanto tempo isso vai levar, mas não acho que sejam 10 anos,” acrescentou Choi. “Também não acho que sejam seis meses ou um ano, mas algo entre esses períodos. Mas vai acontecer.”

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