Astrônomos descobrem que estrelas quentes têm manchas gigantes na superfície

Essas variações de brilho podem durar até décadas e podem ajudar a desvendar a origem de campos magnéticos ao redor de anãs-brancas

Representação artística de manchas magnéticas gigantes na superfície de uma estrela
Representação artística de manchas magnéticas gigantes na superfície de uma estrela Foto: Divulgação/ESO (2.jun.2020)

Anna Satie, da CNN

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Astrônomos descobriram que estrelas extremamente quentes sofrem com manchas magnéticas e explosões de energia milhões de vezes mais energéticas que o Sol. O achado foi publicado nesta segunda-feira (1º) na revista científica Nature.

Conhecidas como estrelas do ramo horizontal externo, esses astros têm menos da metade da massa do nosso Sol, mas são de cinco a seis vezes mais quentes. Normalmente, têm a companhia de uma outra estrela bastante próxima.

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Com ajuda dos telescópios do ESO (Observatório do Sul Europeu), uma equipe liderada por Yazan Momany, do Observatório Astronômico de Pádua (Itália), queria descobrir o porquê de algumas delas parecerem não ter companheiras. O monitoramento mostrou que haviam variações regulares no brilho desses objetos.

“Após eliminarmos todos os outros cenários, restava-nos apenas uma possibilidade para explicar estas variações de brilho observadas”, explica Simone Zaggia, co-autor do estudo, também do Observatório Astronômico de Pádua. “Estas estrelas devem ‘estar sofrendo’ de manchas”.

Ao contrário das manchas escuras do Sol, essas são brilhantes e podem durar décadas.

A descoberta ajuda a ter uma ideia mais completa desse tipo de astro e pode ajudar a explicar a origem de campos magnéticos muito fortes observados em anãs-brancas —estrelas no último estágio de vida.

“As variações no brilho de todas as estrelas quentes, desde estrelas jovens do tipo solar a estrelas velhas do ramo horizontal extremo e anãs brancas mortas há muito tempo, podem estar todas ligadas. Esses objetos podem, portanto, ser entendidos como sofrendo coletivamente de pontos magnéticos em suas superfícies”, explicou David Jones, outro membro da equipe, que trabalha no Instituto de Astrofísica de Canárias, na Espanha.

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