Astrônomos mapeiam halo galáctico, a ‘periferia’ da Via Láctea

O novo mapa revela como a Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã satélite que orbita a nossa galáxia, moveu-se pelo halo

Foto: Nasa

Ashley Strickland, da CNN

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Astrônomos usaram dados coletados pela Agência Espacial Europeia e pela Nasa para mapear o halo galáctico, a “periferia” da Via Láctea. O novo mapa revela como a Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã satélite que orbita a nossa galáxia, moveu-se pelo halo.

Assim como um navio deixa rastros na água, sua gravidade criou uma marca nas estrelas atrás dela. As descobertas foram publicadas na revista Nature.

A Via Láctea tem múltiplos braços espirais que saem de um disco central. O halo de aparência vazia está fora desses braços giratórios, mas pode haver muito mais nele do que parece.

Os cientistas acreditam que o halo hospeda uma pequena população de estrelas e que também contenha uma grande quantidade de matéria escura. Essa substância misteriosa, que é invisível e intrigou os pesquisadores por décadas, pode ser a responsável pela maior parte da massa do universo.

Colisão de galáxias

Atualmente, a Grande Nuvem de Magalhães está a 160 mil anos-luz da Terra e tem apenas cerca de um quarto da massa da Via Láctea. Pesquisas de 2019 sugerem que ela colidirá catastroficamente com a nossa galáxia em 2 bilhões de anos.

O rastro criado pela Grande Nuvem de Magalhães está a cerca de 200 mil anos-luz a 325 mil anos-luz do centro galáctico. Enquanto pesquisas anteriores sugeriam sua existência, esses novos dados fornecem a confirmação.

Na imagem divulgada pela Nasa, a faixa do meio representa uma visão de 360 graus da Via Láctea sobreposta a um mapa do halo galáctico. Uma onda brilhante na parte inferior esquerda da imagem é o rastro de estrelas, e à direita está a Grande Nuvem de Magalhães e o caminho que ela percorre.

A marca azul claro no canto superior direito mostra a alta concentração de estrelas no hemisfério norte da nossa galáxia.

Entendendo a matéria escura

A ondulação deixada pelo movimento da Grande Nuvem de Magalhães também é uma oportunidade para estudar a matéria escura. Embora seja invisível, ela fornece estrutura por todo o universo, incluindo a base para as galáxias.

Com isso, se a Grande Nuvem de Magalhães pode cortar o halo da Via Láctea e deixar uma onda de estrelas, a mesma ondulação deveria agir essencialmente como um contorno da matéria escura.

A matéria escura atrai a galáxia anã, fazendo com que ela desacelere e encolha sua órbita, o que poderá causar a eventual colisão. Apesar de parecerem violentas, as colisões galácticas são o que criaram as galáxias massivas que povoam nosso universo – e nossa própria galáxia já experimentou fusões antes.

“Este roubo da energia de uma galáxia menor não é apenas a razão pela qual a (Grande Nuvem de Magalhães) está se fundindo com a Via Láctea, mas também a explicação para todas fusões de galáxias que ocorrem”, disse Rohan Naidu, coautor do estudo e aluno de doutorado em astronomia em na Universidade de Harvard.

“O rastro em nosso mapa é uma confirmação realmente clara de que nossa imagem básica de como as galáxias se fundem está correta”, concluiu. 

*Texto traduzido, clique aqui para ler o conteúdo original

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