Camadas rochosas indicam que parte de Marte já teve água

Tegião chamada Arabia Terra, maior do que a Europa, pode já ter abrigado água em um curto período

Perseverance raspa rochas na superfície do planeta vermelho
Perseverance raspa rochas na superfície do planeta vermelho Nasa

Amanda Andradecolaboração para a CNN

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Uma região chamada Arabia Terra, no norte do planeta Marte, pode já ter abrigado água em um curto período. A descoberta foi feita por cientistas das universidades Northern Arizona e Johns Hopkins, que publicaram o estudo (financiado pelo programa Mars Data Analysis, da NASA) na revista acadêmica Geology.

Um pouco maior do que o continente europeu, essa área possui crateras, caldeiras vulcânicas, cânions e faixas rochosas. A equipe de pesquisadores queria entender como essas camadas de rochas foram formadas e descobrir se já houve água estável (e por quanto tempo) e como eram a atmosfera e a temperatura na superfície.

“Estávamos especialmente interessados em usar as rochas da superfície de Marte para entender melhor os ambientes de 3 a 4 bilhões de anos atrás e se poderia ter havido condições climáticas apropriadas para vida na superfície”, diz Ari Koeppel, um dos autores da pesquisa, em comunicado à imprensa.

Para entender a formação das camadas rochosas, os cientistas começaram pelo estudo da inércia térmica — a capacidade de um material de ganhar ou perder calor, mudando de temperatura. Logo, analisando a temperatura da superfície das rochas, conseguiram identificar suas propriedades físicas, incluindo evidências de erosão e quais minerais estavam presentes.

A equipe, então, descobriu que os sedimentos das rochas encontradas estavam menos coesos do que se acreditava anteriormente, o que pode indicar que a superfície abrigou água por um período curto de tempo.

“Para algumas pessoas, isso tira a graça da história, porque geralmente pensamos que ter mais água por mais tempo significa que há uma chance maior de que tenha existido vida lá em algum momento. Mas, para nós, é muito interessante, porque isso levanta uma nova série de questões”, diz o cientista.

“Quais condições podem ter permitido que existisse água lá por um curto período? Podem ter existido geleiras que derreteram rapidamente causando enormes inundações? Pode ter existido um sistema de águas subterrâneas que se infiltrou no solo apenas por um curto período para depois afundar novamente?”, enumera.

A pesquisa só pôde ser realizada graças a instrumentos de detecção remota instalados em satélites orbitando o planeta. “Assim como os geólogos na Terra, nós olhamos para as rochas para tentar contar histórias sobre ambientes passados”, afirma Koeppel. “Em Marte, estamos um pouco mais limitados. Não podemos simplesmente ir a uma pedreira e coletar amostras. Somos dependentes dos dados dos satélites”, comenta. “Há vários satélites orbitando Marte, e cada um abriga uma coleção de instrumentos. Cada instrumento tem sua própria função para nos ajudar a descrever as rochas que estão na superfície.”

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