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    Cientistas alcançam temperatura mais baixa já registrada no Universo: – 273ºC

    Experimento abre caminho para o desenvolvimento de novos materiais com propriedades inimagináveis

    Reprodução de complexas correlações magnéticas observadas por físicos em simulador quântico da Universidade de Kyoto. Máquina usa átomos de itérbio cerca de 3 bilhões de vezes mais frios que o espaço profundo
    Reprodução de complexas correlações magnéticas observadas por físicos em simulador quântico da Universidade de Kyoto. Máquina usa átomos de itérbio cerca de 3 bilhões de vezes mais frios que o espaço profundo Ella Maru Studio/Cortesia de K. Hazzard/Rice University

    Roberta Jansen, do Estadão Conteúdo

    Um grupo internacional de cientistas conseguiu alcançar, dentro de um laboratório na Terra, a menor temperatura já registrada no Universo: – 273ºC. Não se trata apenas de um grande feito de laboratório. O experimento abre caminho para o desenvolvimento de novos materiais com propriedades inimagináveis.

    A menor temperatura já registrada na Terra naturalmente foi de – 89,2ºC, na Antártida. Em alguns lugares da Lua, ela pode cair abaixo dos – 200ºC. No experimento científico, pesquisadores da Universidade de Rice, nos Estados Unidos, e da Universidade de Kyoto, no Japão, usaram raios laser para resfriar átomos até alcançar uma temperatura de apenas um bilionésimo de grau acima de – 273,15ºC, o zero absoluto na escala Kelvin. Nesta temperatura, o movimento dos átomos cessa por completo.

    Um dos principais autores do trabalho é o especialista em física atômica Eduardo Ibarra García-Padilla, que completou há pouco tempo seu doutorado na Universidade de Rice e, agora, faz o pós-doutorado na Universidade da Califórnia. Como explicou o cientista mexicano, alguns estados da matéria só são alcançados em temperaturas muito baixas.

    “Alcançar essas temperaturas (e esses estados) permitirá compreender melhor fenômenos da física como a supercondutividade nos óxidos de cobre, que podem ter importantes aplicações tecnológicas”, justificou o cientista.

    Em temperaturas próximas ao zero absoluto, o hélio, por exemplo se transforma em um ‘superfluido’, caracterizado pela ausência total de viscosidade. Isso faz com que ele seja capaz de atravessar paredes – mesmo as que não são porosas — e até “escapar” de recipientes em que esteja armazenado.

    Os exemplos mais conhecidos de comportamento estranho a baixas temperaturas são a supercondutividade e a superfluidez. A supercondutividade ocorre quando uma substância é capaz de transmitir eletricidade sem opor resistência alguma. A superfluidez consiste na perda total da viscosidade de uma substância. Sob essas temperaturas, praticamente tudo congela, exceto alguns isótopos de hélio, que adquirem a superfluidez.

    “Conforme alcançamos temperaturas mais baixas, novos estados exóticos da matéria devem aparecer”, disse Garcia-Padilla. “E esses podem ter propriedades magnéticas ou de transporte completamente diferentes das de outros materiais”