Cientistas revelam o mistério da resistência da peste negra no tempo

Bactéria ficou menos letal para ser mais transmissível, diz estudo

Flávio Ismerim, da CNN
Ilustração da bactéria Yersinia pestis, que causa peste negra
Ilustração da bactéria Yersinia pestis, que causa peste negra  • RUSLANAS BARANAUSKAS/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images
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Um estudo solucionou o mistério do motivo que fez a bactéria Yersinia pestis, causadora da peste negra, sobreviver tantos séculos até a atualidade. A resposta está em uma pequena alteração genética que fez o microorganismo ser menos fatal e mais transmissível.

A ciência já sabia que algumas cepas de Y. pestis eram menos agressivas, mas o novo estudo, publicado na revista Nature, trouxe a explicação para essa variação.

""Nossas descobertas neste estudo caracterizam um caso em que um patógeno causador de pandemia evoluiu independentemente para causar o que acreditamos ser uma forma ligeiramente mais branda da doença", afirma Ravneet Sidhu, paleogeneticista da Universidade McMaster em Hamilton, no Canadá, e coautora do estudo.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores infectaram camundongos com níveis diferentes de Pla, um gene associado à agressividade da bactéria. Os animais que receberam a cepa com Pla reduzido viveram dois dias a mais do que os que receberam a cepa normal.

Os dados também mostraram uma queda da mortalidade de 15 pontos percentuais: 100% para a cepa normal e 85% com Pla reduzido. As duas cepas, no entanto, foram igualmente fatais quando infectadas por via intravenosa ou nasal, simulando infecções sanguíneas e pulmonares.

O estudo explicando ainda que é vantajoso para a bactéria que ela seja menos letal, já que assim ela pode viver mais tempo dentro do hospedeiro e ser transmitida mais vezes.

A Yersinia pestis é a bactéria causadora da peste negra, doença que matou 50 milhões de pessoas no século XIV, e foi responsável por outra praga que atingiu o Mediterrâneo no século VI. Até hoje ela circula em níveis baixos nos Estados Unidos, África e Ásia e é transmitida para humanos por pulgas infectadas transportadas por ratos ou outros roedores.