Cinco curiosidades sobre o vulcão Cumbre Vieja, que está há um mês em erupção

Um dos vulcões mais ativos das Ilhas Canárias, na Espanha, o Cumbre Vieja tem mais de 125 mil anos

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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O Vulcão Cumbre Vieja, localizado na ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias, da Espanha, completou um mês em erupção nesta terça-feira (19). A atividade vulcânica tem sido definida por pequens a médias explosões com grandes intervalos de tempo — tecnicamente elas são chamadas tecnicamente de estrombolianas.

A lava surge de múltiplas fontes que se ramificam. Emissões diárias de cinzas e micropartículas prejudicam a qualidade do ar. Saiba algumas curiosidades sobre o vulcão:

1. Vulcão tem mais de 125 mil anos

A ilha de La Palma é composta por dois grandes centros vulcânicos. O Cumbre Vieja, no sul da região, é um dos mais ativos das Canárias. O vulcão tem mais de 125 mil anos.

Segundo o Programa de Vulcanismo Global do Smithsonian Institution, dos Estados Unidos, as erupções durante os últimos 7.000 anos formaram cones de cinza e crateras ao longo do eixo do vulcão, produzindo fluxos de lava alimentados por fissuras que descem para o mar.

Erupções registradas desde o século 15 produziram atividade moderada e fluxos de lava que danificaram áreas povoadas. Os fluxos de lava também alcançaram o mar nos anos de 1585, 1646, 1712, 1949 e 1971.

2. Erupção tem baixo “índice de explosividade”

Na vulcanologia, a magnitude das erupções vulcânicas é medida na escala do Índice de Explosividade Vulcânica (IEV) com valores entre 0 e 8. No caso dessa erupção, segundo o governo das Canárias, o IVE estimado até o momento é de 2.

A atividade vulcânica é monitorada por um comitê científico, coordenado pela Direção-Geral de Segurança e Emergências do governo, composto por representantes de diferentes instituições de pesquisa e de universidades.

O fluxo principal de lava corre ao longo do lado norte, descendo pela parte norte dos fluxos anteriores, seguindo trajetórias para o oeste e noroeste. Na saída do centro de emissão, o fluxo está concentrado em um canal de lava escalonado.

Os centros de emissão da cratera ainda estão ativos. O centro, que foi reativado no dia 16 de outubro, continua com sua atividade de emissão intermitente de cinzas.

Segundo o comitê científico, a morfologia do cone apresenta mudanças repetidamente devido aos sucessivos processos de crescimento e reconfiguração do processo eruptivo.

3. Vulcão já afetou mais de 2 mil edifícios

A erupção do vulcão afetou uma área de 763 hectares, até o momento. Segundo o governo das Canárias, a largura máxima entre os dois fluxos de lava é de aproximadamente 2.900 metros, com algumas áreas ainda intactas.

De acordo com dados do satélite Copernicus, pelo menos 2.016 edifícios foram afetados, sendo que 1.956 foram destruídos e 60 parcialmente danificados ou em risco.

Em relação às lavouras, os dados atualizados superam os 228 hectares afetados, incluindo plantações de bananas, de abacates e videiras.

De acordo com o governo, neste momento 344 pessoas desabrigadas estão sendo alojadas em hotéis e atendidas pela Cruz Vermelha, em coordenação com os serviços sociais municipais.

4. Erupção provocou aumento de terremotos

As erupções vulcânicas provocam o aumento da atividade sísmica na região. Desde o início da atividade, foram registrados tremores de terra diários, alguns sentidos pela população. O centro dos abalos se localiza ao sul e leste em relação às áreas de erupção.

Nas últimas 24 horas, 47 terremotos foram detectados na área afetada pela reativação vulcânica, sete tremores foram sentidos pela população. O terremoto de maior intensidade ocorreu na segunda-feira (18), com magnitude 4.3 e 37 km de profundidade.

A maioria dos tremores está em profundidades médias ou altas, entre 10 e 15 km. Além disso, abalos localizados a profundidades superiores a 20 km continuam a ter uma magnitude elevada. Os altos valores da amplitude do sinal do tremor são mantidos, com pulsos de intensificação.

5. Vulcão liberou muitas cinzas e poluentes

Um dos aspectos associados à erupção vulcânica é a liberação de cinzas e partículas, o que traz prejuízos para a qualidade do ar. Segundo o governo das Canárias, a altura da coluna de cinzas e gás medida na segunda-feira, bem como sua dispersão, chegou a 4.000 metros.

O governo recomendou à população do município de El Paso a permanência em casa entre 14h e 21h, e o uso de máscaras do tipo PFF2 para sair às ruas. As condições meteorológicas na localidade são desfavoráveis ​​do ponto de vista da qualidade do ar, devido à elevada concentração de micropartículas em suspensão. Além das partículas emitidas pelo vulcão, a ilha sofre com os efeitos das partículas de poeira vindas do deserto do Saara, na África.

A emissão de dióxido de enxofre (SO2) associada à pluma vulcânica (coluna de cinzas e gases vulcânicos), que variou entre 4.500 e 21.000 toneladas por dia, continua a registrar valores elevados, atingindo cerca de 3.900 toneladas por dia.

Em relação ao dióxido de enxofre, os registros das últimas 24 horas têm ficado longe do limite máximo recomendado em todas as estações da ilha, segundo o governo.

As áreas mais afetadas pela queda de cinzas são a metade oeste de La Palma, principalmente ao norte e sudoeste do foco da erupção.

Desde o início das atividades vulcânicas, as plumas de dióxido de enxofre flutuaram em várias direções, segundo o Programa de Vulcanismo Global. Em 8 de outubro elas alcançaram o Caribe e, em 12 de outubro, chegaram ao norte da África, Espanha e Portugal.

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