Cometa 3I/Atlas no periélio: o que se pode observar com o fenômeno

Objeto interestelar em estudo intriga cientistas sobre suas propriedades físicas; à CNN, astrônomos explicaram

Nicoly Bastos, da CNN Brasil
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O cometa "visitante" 3I/ATLAS passou pelo periélio na última quarta-feira (30) a uma distância de cerca de 1,4 UA (210 milhões de quilômetros) -- logo dentro da órbita de Marte, segundo informações da Nasa.

Segundo astrônomos, este momento pode representar uma oportunidade de se observar mais sobre as características do objeto interestelar. “Periélio” é o ponto da órbita de um objeto (no caso, o cometa) em que ele está mais próximo do Sol.

"É um momento importante, porque a influência dos ventos solares sobre o cometa pode revelar algumas coisas", ressalta Marcos Calil, astrônomo da Urânia Planetário.

“Nesse momento, podemos até arrancar algumas informações preciosas sobre sua composição. Mas o mais interessante virá depois do periélio, quando haverá a aproximação com uma sonda. Essa sonda poderá revelar muitos detalhes sobre ele", complementa.

O tamanho e as propriedades físicas do cometa interestelar estão sendo investigados por astrônomos ao redor do mundo. O objeto foi localizado pela primeira vez no início de julho deste ano, quando o telescópio da rede Asteroid Terrestrial‑impact Last Alert System (ATLAS), "flagrou" um objeto incomum em Río Hurtado, no Chile.

Também astrônomo da Urânia Planetário, Emerson Roberto Perez destaca que o núcleo do 3I/ATLAS pode estar sofrendo alterações durante a aproximação ao Sol.

“O núcleo desse cometa pode ter sofrido várias fissuras, algo comum quando passam próximos do Sol. Embora o 3I/ATLAS não esteja tão perto quanto outros já estiveram, alguns cometas acabam se desintegrando totalmente nessas condições.”

“No caso dele, isso não deve acontecer. O cometa deve apenas fazer uma curva próximo ao Sol, devido à força gravitacional, e depois seguirá seu caminho para fora do Sistema Solar", continua.

O astrônomo também ressalta outro ponto de interesse: a aproximação do cometa com a Terra.

“Outro ponto relevante é que o cometa passará próximo da Terra. O ponto mais próximo, ou seja, o periélio em relação à Terra, deve ocorrer por volta do dia 25 de novembro. Essa será a passagem mais próxima, talvez um pouco antes, dependendo de o núcleo ter se fissurado ou não.”

Ainda não há evidências científicas de que o objeto interestelar seja algo além de um cometa. Segundo confirmam os astrônomos, ele não apresenta perigo à Terra. 

O cometa 3I/Atlas é apenas o terceiro corpo celeste de fora do nosso Sistema Solar já registrado passando por nossa vizinhança cósmica. Por isso se sabe tão pouco sobre ele e sobre suas origens.

Composição química

Um estudo baseado em observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelou alguns detalhes incomuns sobre o 3I/ATLAS, como uma coma (a nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo do cometa) dominada por dióxido de carbono (CO₂). Esta é uma concentração jamais vista em cometas.

Além disso, o 3I/ATLAS contém aproximadamente oito vezes mais dióxido de carbono do que água, o que ultrapassa em mais de seis vezes o limite de variação esperado.

Como o objeto está viajando a uma velocidade acima de 210 mil km/h, os pesquisadores estão em uma verdadeira corrida contra o tempo para extrair o máximo de informações sobre a composição química.

A Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN) anunciou um exercício especial de treinamento para aprimorar a precisão das medições orbitais do cometa 3I/ATLAS.

Previsto para acontecer entre 27 de novembro deste ano e 27 de janeiro de 2026, a iniciativa que acontece com outros objetos no espaço uma vez no ano, desde 2017, selecionou o astro por ele ter chamado a atenção nos últimos meses.