Como bactérias intestinais ajudam pandas a comerem apenas bambu e manterem peso

Ursos são exigentes com alimentação, consumindo apenas bambu, e conjunto diferente da flora intestinal ajudam animais a tirar máximo proveito disso.

Panda gigante Mei Xiang no Zoológico Nacional de Washington, nos EUA
Panda gigante Mei Xiang no Zoológico Nacional de Washington, nos EUA Foto: 23/08/2007 REUTERS/Kevin Lamarque

Katie Huntda CNN

Ouvir notícia

Os pandas são notoriamente exigentes em relação à alimentação. Eles só consomem bambu – uma dieta de baixa qualidade e em teor de gordura.

Mas esses animais parecem ter evoluído para tirar o máximo proveito do que comem, de acordo com um novo estudo.

As bactérias intestinais dos pandas mudam no final da primavera e no início do verão, quando o bambu é mais nutritivo – enquanto brota brotos verdes e ricos em proteínas. A bactéria faz o urso ganhar mais peso e armazenar mais gordura, o que, segundo os pesquisadores, pode compensar a falta de nutrientes no final do ano, quando as plantas de bambu têm apenas folhas fibrosas para mastigar.

“Sabemos há muito tempo que esses pandas têm um conjunto diferente de flora intestinal durante a estação da alimentação de brotos, e é muito óbvio que eles são mais gordinhos durante essa época do ano”, disse o autor principal do estudo, Guangping Huang, pesquisador do Instituto de Zoologia da Academia Chinesa de Ciências, em um comunicado à imprensa.

O estudo foi publicado na terça-feira no periódico científico Cell Reports.

Para investigar como as bactérias intestinais podem afetar o metabolismo de um panda, a equipe primeiro coletou as fezes de oito pandas gigantes selvagens nas montanhas Qingling, na China, durante a época das folhas mais fibrosas e a dos brotos e, em seguida, examinou como as amostras dessas fezes diferiam.

Os cientistas descobriram que um bacilo chamado Clostridium butyricum era mais abundante nas entranhas dos pandas durante a estação em que eles desfrutam dos brotos de bambu frescos.

Para entender se essa bactéria ajuda os ursos a ganhar e armazenar peso, os pesquisadores realizaram um transplante fecal, colocando a fezes coletadas dos pandas em camundongos de laboratório. Em seguida, alimentaram esses camundongos por três semanas com uma dieta à base de bambu que simulava o que os pandas comem.

Embora os camundongos sejam muito diferentes dos pandas, não foi possível realizar esses testes em animais vulneráveis e ameaçados de extinção, disse Wei Fuwen, coautor do estudo e professor no Key Lab of Animal Ecology and Conservation Biology do Instituto de Zoologia da Academia Chinesa de Ciências. Os ratos foram um bom substituto.

“Os ratos provaram ser um modelo eficaz para estudar a função do microbioma intestinal em humanos”, disse Wei por e-mail.

Os pesquisadores descobriram que os camundongos transplantados com fezes de panda coletadas durante a estação de alimentação com os brotos ganharam significativamente mais peso, apesar de consumirem a mesma quantidade de comida.

“As bactérias intestinais foram a única variável nesta pesquisa”, explicou Wei.

Felix Sommer, líder do grupo de pesquisa funcional do microbioma hospedeiro na Universidade Christian-Albrechts, em Kiel, na Alemanha, observou que o número de pandas envolvidos no estudo era pequeno e o experimento havia sido realizado apenas uma vez. Sommer, que não está envolvido na pesquisa, também enfatizou que os pesquisadores encontraram uma correlação, não uma relação de causa entre as bactérias e o ganho de peso.

“Eu teria pedido algum tipo de experimento de validação ou uma nova amostragem em outro ano ou em outro momento”, explicou Sommer, que realizou pesquisas semelhantes sobre hibernação de ursos marrons.

Wei disse que é necessário mais trabalho para validar a relação causal diretamente nos pandas. Ele acrescentou que o trabalho deles pode ajudar a melhorar a saúde dos pandas gigantes mantidos em cativeiro.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

versão original

Mais Recentes da CNN