ESA planeja se aproximar da Nasa após expulsão da Rússia da missão em Marte

Diretor geral da Agência Espacial Europeia, Josef Aschbacher, disse que a decisão está sendo estudada, mas nada foi definido

O lançamento do rover ExoMars, uma colaboração entre a ESA e a agência espacial russa Roscosmos está suspenso por conta da guerra.
O lançamento do rover ExoMars, uma colaboração entre a ESA e a agência espacial russa Roscosmos está suspenso por conta da guerra. Max Alexander

Zeena SaifiEoin McSweeneyBear HutchisonBecky Andersonda CNN*

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A Agência Espacial Europeia (ESA) pode buscar laços mais estreitos com a Nasa em suas próximas missões, especialmente o rover ExoMars, depois que ficou claro que a ESA precisava “cortar” seus laços com a Rússia, disse o diretor geral da agência, Josef Aschbacher.

“Certamente é uma opção que estamos estudando, não há decisão tomada ainda, mas uma opção que estamos estudando também é trabalhar mais próximo da Nasa”, disse Aschbacher a Becky Anderson no Connect the World da CNN nesta sexta-feira (25).

A ESA suspendeu a sua missão de lançar o primeiro rover planetário da Europa, destinado a procurar sinais de vida e investigar a história da água em Marte, na passada.

O rover, conhecido como ExoMars e Rosalind Franklin em homenagem ao químico inglês e pioneiro do DNA, foi projetado pela ESA e Roscosmos, a agência espacial da Rússia. A missão deveria ser lançada em setembro deste ano, mas os estados membros da ESA votaram pela suspensão do projeto, apesar de seu estágio tardio após 40 anos de desenvolvimento.

“Geopoliticamente, está claro que precisamos cortar nossos laços com a Rússia, e essa decisão foi tomada pelos Estados membros”, disse Aschbacher. “Então, sim, é realmente lamentável para toda a ciência e tecnologia e os engenheiros que trabalham nisso há quatro décadas. Mas não há outra escolha a fazer.”

Dmitry Rogozin, diretor-geral da agência espacial russa, descreveu a posição da ESA como “frenética”, dizendo em uma entrevista à televisão chinesa que a Roscosmos “considera impossível uma cooperação adicional”.

Apesar dessa falta de cooperação com a Rússia fazendo “um impacto” no trabalho da ESA, Aschbacher disse que a agência tem “opções”.

“Certamente, do ponto de vista tecnológico, podemos prescindir da experiência russa que temos até agora”, disse Aschbacher. No entanto, destacou que “é claro que temos que desvendar o que foi construído ao longo de muitas décadas”.

Laços da estação espacial

Atualmente, existem quatro astronautas da Nasa, cinco cosmonautas russos e um astronauta europeu a bordo da Estação Espacial Internacional e as relações são “profissionais”, segundo Aschbacher.

Rogozin disse anteriormente que as sanções contra a Rússia poderiam “destruir” as relações na estação espacial, mas Aschbacher negou, dizendo que “independentemente da nacionalidade ou origem, os astronautas são uma equipe que precisa trabalhar em conjunto”.

O ex-astronauta da Nasa Scott Kelly disse à CNN no ano passado que “essas tensões políticas terrenas nunca são transmitidas ao espaço“. Kelly e Rogozin recentemente trocaram farpas no Twitter, mas o astronauta aposentado está recuando da guerra no Twitter.

No entanto, uma das principais preocupações da ESA são os ataques cibernéticos, que Aschbacher disse à CNN que aumentaram recentemente.

“Estamos regularmente observando a situação com muito cuidado dia e noite. Como você pode imaginar, reconhecemos alguma intensificação das tentativas. Mas devo dizer que nosso sistema é bastante resiliente”, disse ele.

Ele se recusou a dizer quantas tentativas de ataques cibernéticos vieram da Rússia.

 

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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