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    Inteligência Artificial faz Google deixar de ser só um buscador pela 1ª vez na história

    Depois de 26 anos de mercado, site agora passa também a ser um "criador" de conteúdo e diz que, daqui pra frente, a preocupação com a qualidade da informação vai ser primordial

    Phelipe Sianida CNN

    São Paulo

    Nessa semana, o Google mudou totalmente a experiência de busca incluindo no buscador a possibilidade de oferecer respostas criadas a partir de inteligência artificial generativa. E isso diz muito sobre a confirmação do caminho que as grandes empresas de tecnologia do mundo, as Big Techs, tão tomando em direção a um mundo digital comandado por essas IA’s.

    O anúncio oficial pro público foi feito na quarta-feira, mas eu fui um dos poucos jornalistas convidados pra participar de uma coletiva no comecinho da semana pra adiantar as informações.

    O Google, dizem vários especialistas, tá até atrasado nessa corrida, mas se propôs a chegar bem e com força. O buscador agora dá pro usuário a possibilidade de integrar na caixa de perguntas o SGE, que é uma sigla gringa pra “Search Generative Experience”, ou “Experiência de Busca Generativa”. Quando essa opção é ativada, o Google vai muito mais além do que só destacar no relatório que ele apresenta um texto que alguém já escreveu sobre o assunto e vários links que ele acha que tem a ver com o que você quer (e muitas vezes não tem).

    Agora, depois de 26 anos do próprio lançamento e seguindo a lógica de toda IA generativa, o Google deixa de ser só um “buscador” e passa a ser também um “gerador” de conteúdos. A ideia, segundo os técnicos do Google que conversaram com a gente, é dar um tom de conversa na experiência de busca, criando o que as IA’s gostam de fazer, juntar o pedido mais recente com os anteriores pra gerar respostas mais assertivas. Levar todos os pedidos em consideração pra criar um conteúdo é o que as IA’s chama de “prompt”.

    Pra quem ainda não sabe, IA generativa do jeito que a gente vem discutindo hoje é, a grosso modo, um tipo de sistema que organiza as informações que a gente busca em formato de um texto feito a partir daquilo que essa tecnologia encontra em fontes que tão na internet.

    É como um profissional, que é produtor de conteúdo e te escreve um texto sobre algum assunto que você escolheu. Muitas IA’s generativas já tão oferecendo essas soluções também em imagens, ilustrações, animações em movimento e até vídeos. É só pedir uma foto de uma praia à noite com um céu estrelado que, por exemplo, o Firefly da Adobe faz pra você. E você pode pedir pra ele incluir na imagem pronta um cometa passando no céu, inserir uma vaca alada perseguindo esse cometa e por aí vai.

    O Midjourney é outra ferramenta que viralizou esse ano fabricando imagens perfeitas do Papa com jaquetão rapper e do Donald Trump sendo preso pela polícia. Fotos incrivelmente perfeitas, mas que não eram verdadeiras. E isso deixou muita gente assustada.

    Foi o ChatGPT quem largou na frente nessa história e, apesar de parecer que ele já tá aí há décadas, só faz um ano que ele chegou pro público e mudou todo o nosso jeito de entender produção de conteúdo on-line. E isso, obviamente, levantou a orelha do Google, principalmente porque a OpenAI, que é a empresa dona da tecnologia tem investimento pesado da Microsoft, que parecia já ter aceitado que o navegador dela, o Bing, nunca ia incomodar a hegemonia do Google. Mas aí, no começo do ano a Microsoft chegou e fez o quê? Colocou o ChatGPT pra dentro do Bing e criou um buscador que passou a fazer algo muito parecido com o que o Google anunciou essa semana.

    Quando o ChatGPT foi lançado, o problema, pelo menos pra mim, era que ele criava textos com informações e dados muitas vezes sem citar nenhuma fonte. E nem precisa necessariamente ser jornalista pra desconfiar de uma informação que você não sabe de onde foi tirada, né?! Hoje, com o ChatGPT no Bing, as fontes já aparecem, assim como no Google com a tal SGE ativada. Enfim entenderam a importância disso!Bom, já deu pra perceber que a gente definitivamente não tá falando de briga de peixe pequeno, certo?! O ponto é que ninguém quer ficar pra trás e o que tá mais que claro nessa história é que a produção de conteúdo daqui pra frente vai ser dominada (e muito facilitada) pelas plataformas que cada vez mais vão ficar artificialmente inteligentes.

    E eu falei no começo do texto que algumas dessas IA’s já tão oferecendo soluções em imagens, né?! Então, essa é a próxima barreira que deve ser atingida pelo Google, que confirmou durante a entrevista coletiva de lançamento da plataforma que esse recurso deve chegar em breve no buscador. Ainda tem gente que tá com muito medo de toda essa revolução que a gente tá vivendo e eu entendo de onde isso vem.

    Mas pensar em todas as possibilidades que isso traz é um dos jeitos mais fáceis de me tirar um sorriso do rosto quando eu penso em tecnologia, mesmo sabendo que uma IA poderia ter escrito isso tudo (eu juro que fui eu mesmo). Dito tudo isso, aguardemos os próximos capítulos dessa guerra das IA’s.