Missão da Nasa faz último voo ao redor do asteroide Bennu e coleta imagens

O asteroide é o mais próximo da Terra atualmente; a nave OSIRIS-REx deve chegar à Terra em setembro de 2023

Asteroide Bennu, o mais próximo da Terra
Asteroide Bennu, o mais próximo da Terra Foto: Nasa

Ashley Strickland,

da CNN

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Uma das naves espaciais da Nasa dirá adeus a um asteroide que lhe fez companhia nos últimos anos.

A nave OSIRIS-REx está conduzindo um voo final ao redor do asteroide Bennu nesta quarta-feira (7). Ela fez história ao pousar rapidamente no asteroide em 20 de outubro de 2020, e coletar uma amostra de cerca de 50g da superfície. A amostra, guardada seguramente dentro da espaçonave, retornará à Terra em 2023. 

A missão OSIRIS-REx, formalmente conhecida como Exploradora de Origens, Interpretações Espectrais, Identificações de Recursos, Segurança e Regolitos, chegou ao asteroide pela primeira vez em dezembro de 2018, e está o orbitando desde então.

Durante o voo de quarta-feira, a astronave fará imagens finais bem próxima do asteroide, capturando as fotografias da superfície a apenas 2,3 milhas de distância (cerca de 3,7 quilômetros). As imagens devem revelar o resultado final da coleta da amostra em outubro, que foi um evento complicado.

A superfície do asteroide foi danificada quando o apetrecho de amostragem da OSIRIS-REx a penetrou em 48 centímetros de profundidade. A nave liberou um composto de gás de nitrogênio para romper o material da superfície e tornar a coleta mais simples. Os propulsores do veículo também liberaram materiais no ar durante o afastamento do asteroide após a coleta. A gravidade no asteroide é fraca, então pedras e poeira foram lançadas no espaço durante o processo.

As imagens capturadas pela astronave na quarta-feira mostrarão aos cientistas o quanto a coleta de material alterou a superfície do asteroide. Ela passará quase seis horas fotografando o Bennu, o que permitirá que as câmeras façam imagens da rotação completa.

A rota desse voo é familiar para a OSIRIS-REx, que conduziu uma experiência similar enquanto procurava um local para pousar durante pesquisas em 2019. As imagens feitas naquela ocasião serão usadas juntamente com as novas para criar comparações de antes e depois da coleta.

Plano do último voo de Bennu
Um plano de como seria o último voo da OSIRIS-REx ao redor de Bennu
Foto: Nasa/Goddard/University of Arizona

Durante a viagem, os instrumentos da nave coletarão dados, permitindo que o time da missão tenha a chance de avaliá-los após suas ferramentas terem sido cobertas de poeira durante o evento da extração e impedidas de realizar algumas ações. O veículo deve partir para uma extensão da missão após deixar a amostra do Bennu na Terra, em setembro de 2023.

Dias depois do voo, todas as imagens e dados serão enviados às equipes da missão na Nasa, para que elas possam analisar as mudanças em Bennu e avaliar as condições dos instrumentos da OSIRIS-REx. Ela deve orbitar uma área próxima ao asteroide até o dia 10 de maio, quando iniciará uma jornada de 2 anos e 321 milhões de quilômetros de volta ao planeta Terra.

“Deixar as proximidades do Bennu em maio colocará a nave no “local ideal”, onde a manobra de partida consumirá a menor quantidade de combustível]”, disse Michael Moreau, gerente do projeto OSIRIS-REx no Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, na cidade de Greenbelt, nos Estados Unidos, em nota.

Partida da OSIRIS-REx em direção à Terra
Ilustração de como será a partida da OSIRIS-REx em direção à Terra
Foto: Nasa/Goddard/University of Arizona

“Além disso, com uma mudança de velocidade de mais de 265 metros por segundo, essa será a maior manobra de propulsão conduzida pela OSIRIS-REx desde a aproximação com o Bennu em outubro de 2018.”

A amostra de Bennu pode esclarecer algumas dúvidas sobre a formação do sistema solar e a forma como elementos como a água foram levados à Terra pelo impacto de asteroides.

Uma vez que a OSIRIS-REx se aproximar da Terra em 2023, lançará a cápsula contendo a amostra, que atravessará a atmosfera da Terra e cairá de paraquedas no deserto de Utah, nos EUA.

Uma equipe estará pronta para resgatar a amostra e transferi-la para um hangar de aeronaves que servirá como sala de limpeza temporariamente. A amostra então será levada a laboratórios que estão atualmente em construção no Centro Espacial Johnson, em Houston.

“A OSIRIS-REx já nos proporcionou conhecimentos incríveis”, disse Lori Glaze, diretora de ciência planetária da Nasa, em nota. “Estamos muito animados com os planos de mais um voo de observação do asteroide Bennu, para prover novas informações sobre como ele respondeu à rápida aterrissagem e dizer adeus”.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês).

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