Nasa não deve enviar missão tripulada à Lua pelo menos até 2026, diz supervisor

Agência espacial estendeu meta do programa Artemis para 2025

David Shepardson, da Reuters
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Um supervisor do governo dos Estados Unidos disse nesta segunda-feira (15) que a Nasa falhou em estimar com precisão o custo do retorno dos astronautas à Lua e previu que a agência espacial provavelmente não completaria a missão até "2026, no mínimo".

Na semana passada, a Nasa estendeu sua meta para 2025 em seu programa Artemis, uma iniciativa lançada pelo governo do ex-presidente Donald Trump com o objetivo inicial de retornar os humanos à superfície lunar até 2024.

O inspetor geral da agência espacial disse que descobriu que ela "carece de uma estimativa de custo abrangente e precisa que contabilize todos os custos do programa Artemis". O programa foi concebido como um trampolim para um objetivo maior de enviar astronautas a Marte.

O relatório descobriu que a Nasa usa uma estimativa aproximada para as três primeiras missões "que exclui US$ 25 bilhões para atividades-chave relacionadas a missões planejadas além de Artemis III".

Ele disse que a Nasa deve identificar maneiras de reduzir custos. Afirmou, ainda, que a agência provavelmente gastará US$ 93 bilhões no programa até 2025 e enfrentou um custo por lançamento de US$  4,1 bilhões para pelo menos suas primeiras quatro missões Artemis.

Em uma resposta por escrito, a Nasa disse que reestruturou sua organização da Diretoria de Missão de Exploração Humana e Operações para garantir uma gestão eficaz e que concordou que deveria buscar "metas de redução de custos mensuráveis" para seu Desenvolvimento de Sistemas de Exploração.

O administrador da agência, Bill Nelson, citou atrasos em disputas legais sobre um contrato com a SpaceX de Elon Musk para construir o veículo de pouso lunar da Artemis como um dos principais motivos para estender a data alvo.

Um juiz federal rejeitou em 4 de novembro uma ação judicial da empresa espacial de Jeff Bezos, Blue Origin, contra o governo dos Estados Unidos, contestando a decisão da Nasa de conceder um contrato de aterrissagem lunar de US$ 2,9 bilhões para a SpaceX.

Como razões adicionais para estender a data alvo, Nelson citou o Congresso, por ter aprovado pouco dinheiro para o programa, e a administração Trump, por ter estabelecido uma meta para 2024 que não era viável.