Observatórios no Atacama buscam vida em outros planetas e “energia escura”

Telescópio de US$ 1,8 bilhão e resolução 10 vezes maior que do telescópio espacial Hubble está sendo construído no observatório Las Campanas

Deserto do Atacama, no Chile
Deserto do Atacama, no Chile Raphael Nogueira/Unsplash

Reuters

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No seco deserto chileno do Atacama, observadores de estrelas estão explorando os claros céus noturnos para detectar vidas em outros planetas e estudar a chamada “energia escura”, uma misteriosa força cósmica que estaria impulsionando a aceleração da expansão do universo.

O centro da corrida para examinar mundos distantes é o Telescópio Gigante de Magalhães (GMT), um complexo de US$ 1,8 bilhão sendo construído no observatório Las Campanas e que terá uma resolução 10 vezes maior do que o telescópio espacial Hubble.

O telescópio, que tem o início de suas operações projetado para o fim da década, vai competir com o Extremely Large Telescope (Telescópio Extremamente Grande), do Observatório Europeu do Sul – localizado mais ao norte no mesmo deserto –, bem como com o Thirty Meter Telescope que está sendo construído no Havaí.

“Esta nova geração de telescópios gigantes visa exatamente detectar vida em outros planetas e determinar a origem da energia escura”, disse Leopoldo Infante, diretor do observatório Las Campanas. “É uma corrida desses três grupos para quem termina primeiro e quem faz a primeira descoberta.”

Infante disse que o novo telescópio gigante seria capaz de detectar moléculas orgânicas na atmosfera de planetas distantes.

“Essa é a expectativa”, disse ele. “E quem detectar vida em outro planeta vai ganhar o Prêmio Nobel, garanto.”

O outro prêmio é estudar a energia escura, que é considerada uma propriedade do espaço e está impulsionando a expansão acelerada do universo. Ela constitui uma grande parte do universo, mas permanece um enorme mistério não resolvido.

“Há uma energia que está fazendo o universo expandir, mas também acelerar essa expansão”, disse Infante, acrescentando que os cientistas sabiam que essa energia deveria exigir, embora não entendessem sua origem.

“Esse telescópio é desenvolvido para ser capaz de estudar com precisão o que é chamado de energia escura do universo, de entender fisicamente o que essa energia é e de onde ela vem.”

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