Por que a internet cai com frequência no Brasil? Especialista explica
Entenda motivos que levam às quedas de conexão de internet no Brasil

A situação é comum: o tempo fecha, começa a chover e a conexão com a internet cai. Às vezes, isso acontece mesmo sem alguma mudança meteorológica, forçando a pessoa a usar os dados móveis ou aguardar pela reconexão.
De acordo com a edição de 2025 da pesquisa anual TIC Domicílios, que avalia o acesso de tecnologias de informação e comunicação no Brasil, 86% das residências brasileiras têm acesso à internet. A conexão por cabo ou fibra óptica domina, com 73%, o que reforça a necessidade de infraestrutura tecnológica nacional para garantir serviços estáveis.
São 1.207 municípios brasileiros sem acesso à fibra óptica no país, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para reduzir as desigualdades, a agência reguladora propõe no Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT) ampliar a cobertura em áreas mais remotas e levar a conexão a esses municípios até 2029.
Por que a internet cai?
O gerente de Tecnologia da Informação (TI) da empresa de tecnologia Unentel, Carlos Duran, explica que as quedas são resultado de uma série de fatores e não há uma causa específica.
“É a soma de fatores estruturais, climáticos e operacionais que impacta uma infraestrutura bastante complexa”, reforça ao Canaltech.
A operação para fazer a internet funcionar é ampla: depende de malhas de fibra óptica, cabeamento estruturado e uma rede de distribuição. Muitos desses cabos ainda são instalados nos mesmos postes da rede elétrica, o que aumenta o risco de instabilidades com mau tempo, furtos de cabos e outros acidentes.
“Chuvas intensas e ventos fortes podem causar rompimentos de fibra ou afetar equipamentos que dependem de energia estável para manter o tráfego funcionando”, reforça Duran.
Dificuldade de cobertura nacional
Outro problema também envolve o tamanho do Brasil, o quinto maior país do mundo em extensão territorial. Esse fator também exige um desafio maior para criar rotas alternativas (redes que permitem o tráfego de dados) para quando uma rede principal é afetada.
“Somos um país de dimensões continentais, e garantir a redundância real, com rotas alternativas totalmente independentes, exige investimento significativo e planejamento técnico consistente. Em algumas regiões, quando uma rota principal é afetada, não há diversidade suficiente de caminhos, o que amplia o impacto da indisponibilidade”, afirma.
Duran ainda alerta para outros eventos que podem acontecer no dia a dia, como sobrecarga de uso em horários de pico, falhas no roteamento entre operadoras, problemas em data centers e oscilações para fornecer energia elétrica.
Como resolver?
Duran opina que o controle das instabilidades passa por monitoramento e investimentos em infraestrutura. O aumento do consumo de fibra óptica sinalizado pela pesquisa TIC Domicílios é um sinal positivo, mas ainda há espaço para reforçar todo o ecossistema.
“O caminho passa por investimento contínuo em infraestrutura, ampliação da diversidade de rotas, priorização de redes subterrâneas em áreas críticas, monitoramento proativo e, no ambiente corporativo, adoção de links redundantes com operadoras distintas. Resiliência digital hoje não é diferencial competitivo, é premissa de continuidade do negócio”, completa.
*Texto escrito pelo repórter André Magalhães


