Powerbank pode explodir no avião? Saiba como viajar com eletrônicos
Casos recentes de incêndios de power bank no avião reacendem discussão sobre segurança no voo

Casos recentes envolvendo a explosão de carregadores portáteis, conhecidos como powerbanks, têm causado a sensação de insegurança entre alguns passageiros em relação a esse tipo de equipamento. Em alguns casos, os danos foram considerados graves.
No final do ano passado, por exemplo, um voo que partiria de Oslo, na Noruega, teve o embarque interrompido por um incêndio iniciado em uma mala de mão. A cabine da aeronave foi evacuada, mas oito pessoas precisaram ser hospitalizadas por inalação de fumaça tóxica.
Um avião da companhia coreana Air Busan foi totalmente destruído pelo fogo iniciado após uma falha em um power bank localizado no compartimento de bagagem superior. Cerca de 170 passageiros e seis tripulantes foram evacuados da aeronave, e o episódio resultou em ferimentos leves em três pessoas. O caso foi registrado em janeiro do mesmo ano.
Na China, em outubro de 2025, um voo da Air China realizou um pouso de emergência em Xangai após a explosão de um carregador portátil dentro da cabine de passageiros. Não houve registro de feridos nesta ocorrência.
Por que o power bank pode explodir
Grande parte dos casos de incêndios em powerbanks ocorreram por causa do fenômeno da fuga térmica. Trata-se de um aumento rápido e incontrolável da temperatura, normalmente gerado por danos físicos, defeitos de fabricação ou sobrecarga de energia.
Como explicou Fabio Delatore, professor do Instituto Mauá de Tecnologia, ao Podcast Canaltech, toda bateria é uma “combinação de células” de energia. A qualidade dessas células pode variar muito de acordo com a fabricante, especialmente quando se consideram aquelas sem procedência:
“Existem células de dois reais a 200 reais, fornecedores bons ou ruins. Os ruins são escolhidos por algumas fabricantes para oferecer a mesma carga que as concorrentes, a preços mais baixos”, disse.
O risco é amplificado quando os aparelhos estão em locais inacessíveis, como vãos de assentos ou o porão de carga dos aviões. Pilotos relatam que, nestas condições, não é possível monitorar o estado do dispositivo ou visualizá-lo para conter danos.
Estatísticas da Federal Aviation Administration (FAA), nos Estados Unidos, apontam um crescimento significativo nestes incidentes: em 2023, a média foi de três casos de superaquecimento a cada duas semanas, contra menos de um por semana em 2018.
Como evitar incidentes
Mesmo com o aumento das ocorrências, a probabilidade de explosões é considerada mínima caso sejam transportados apenas produtos de procedência comprovada. Afinal, eles passam por diversos testes que comprovam a resistência dos materiais, além de terem mecanismos internos de desligamento caso as propriedades físicas saiam do controle.
Por isso, é recomendado o uso de itens originais de fabricantes como Samsung e Xiaomi, ou marcas como Anker e Belkin.
Delatore ainda aponta que é recomendado realizar a carga de energia longe de locais que sejam inflamáveis, como a madeira, carpete ou espuma.
“[No caso de um incêndio] é possível ter certeza que, embora haja fumaça, não precisará gerar um desespero. O material será apenas consumido, especialmente se for um local ventilado”, explica.
Além disso, a International Air Transport Association (IATA) dá orientações adicionais:
- Na bagagem, levar apenas os dispositivos e baterias realmente necessários;
- Alerta constante: se um dispositivo estiver quente, soltando fumaça ou danificado, informar a tripulação imediatamente;
- Sempre carregar celulares, laptops, câmeras e outros itens alimentados por bateria na bagagem de mão, nunca na mala despachada. Normalmente, isso consta nas regras oficiais das empresas aéreas;
- Lembrar de remover todas as baterias de lítio e dispositivos da mala, caso ela precise ser despachada a partir do portão de embarque;
- Manter baterias sobressalentes e power banks em suas embalagens originais.
Normas para baterias em aviões no Brasil
As regras variam de acordo com as entidades de aviação de cada região, e por isso podem ser diferentes para viagens internacionais. No entanto, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do Brasil determina que o transporte de baterias de até 100 Wh na bagagem de mão é permitido.
Já modelos entre 100 Wh e 160 Wh exigem autorização prévia da companhia, e acima de 160 Wh têm entrada proibida.
Em todos os casos, as baterias são proibidas no compartimento de bagagem despachada devido à falta de acesso em caso de combustão.
É preciso prestar atenção nas medidas, já que existe uma diferença técnica entre a linguagem comercial, que usa miliampère-hora (mAh), e a normativa da aviação, que utiliza watt-hora (Wh). Em geral, a segunda escala costuma ser mais usada para dispositivos com baterias maiores, como notebooks.
Em uma bateria padrão de 3,7 volts, o limite de 100 Wh equivale a aproximadamente 27 mil mAh. Este teto atende à maioria das pessoas, já que celulares possuem cerca de 5 mil mAh, e grande parte dos power banks fica abaixo de 20 mil mAh.
No entanto, ainda é preciso prestar atenção nas medidas, já que equipamentos de 30 mil mAh ou mais são vendidos de forma livre no varejo.
*Texto escrito pelo repórter Vinicius Moschen


