Relatório: Download de apps de saúde no Brasil cresce mais do que média mundial

Levantamento da consultoria internacional App Annie aponta crescimento de 45% no total de aplicativos baixados no país em 2020

Aplicativos disponíveis em tela de smartphone
Aplicativos disponíveis em tela de smartphone Foto: Rami Al-zayat/Unsplash

Daniel Corrá, da CNN, em São Paulo

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Ao longo de 2020, o brasileiro baixou mais aplicativos de bem-estar e saúde, gastando também mais tempo neles. De acordo com levantamento da consultoria internacional App Annie, o total de downloads destes aplicativos cresceu 45% no Brasil, comparado com 2019. O número é maior do que a alta mundial, que foi de 30%.

Entre os principais downloads, estão aplicativos da área de medicina com informações sobre o Coronavírus, a pandemia de Covid-19, além de ferramentas para exercícios físicos, práticas de yoga, meditação, vida em casa, entre outros.

O professor de sociologia do consumo da ESPM, Fábio Mariano Borges, lembra que a experiência de serviços de saúde em plataformas digitais acabou sendo aprimorada em todo o mundo nos últimos meses. “Aqui no Brasil, houve um movimento significativo, em que os médicos e empresas de saúde mais resistentes aderiram ao digital e começaram a fazer atendimentos a distância”, afirma.

O estudo “State Of Mobile 2021” mediu o crescimento dos apps em dispositivos com o sistema iOS e Android, em diferentes países das Américas, Ásia e Europa. Nas Américas, o Brasil lidera em crescimento de downloads, à frente de países como México, Argentina, Canadá e Estados Unidos.

“Uma vez que o consumidor testa a experiência dos aplicativos, ainda que não seja totalmente satisfatória, ela começa a solucionar os problemas dele. E ele não vai retroceder. É um caminho sem volta”, observa Borges.

Entrada no segmento

De olho nesse mercado, a empresária Priscila Lima de Charbonnières, tem migrado os serviços que oferece para o meio virtual. Em 2019, ela criou a plataforma Soulloop para pessoas interessadas em astrologia, psicologia, ioga, entre outras áreas de bem-estar. E agora, prepara o lançamento de uma versão do projeto em aplicativo.

A previsão é que o app esteja disponível até o segundo trimestre em diferentes países, nos idiomas inglês e português. O app ainda contará com planos gratuitos e pagos. “Vi essa mudança muito rápida para a tecnologia e precisava trazer meu atendimento acessível para as pessoas de forma globalizada. A pandemia acelerou muito esse processo, nossas redes sociais cresceram muito, 72%. E a gente sente uma demanda cada vez maior e constante”, afirma.

Ao todo, Priscila conta com uma equipe de 25 pessoas trabalhando no desenvolvimento do aplicativo em países como Estados Unidos, Inglaterra e Brasil. “Todo esse processo não foi fácil. Há dois anos estou trabalhando no aplicativo que estou prestes a lançar. Envolve tecnologia e autoconhecimento, duas coisas que estamos conseguindo unir. Se a gente não se adaptar, a gente fica fora dessa nova era”.

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