Tecnologia com realidade aumentada tem auxiliado médicos em cirurgias complexas

Dispositivo foi aprovado pela FDA e está sendo testado por cirurgiões dos EUA; há planos de expansão para hospitais na Europa até o fim do ano

Dispositivo revela imagens detalhadas em realidade aumentada do corpo humano; tecnologia auxilia médicos em cirurgias complexas
Dispositivo revela imagens detalhadas em realidade aumentada do corpo humano; tecnologia auxilia médicos em cirurgias complexas Foto: Reprodução/Surgical Theater

Zahra Jamshed, CNN

Ouvir notícia

Uma nova colaboração tecnológica aplicada em dispositivos médicos está dando aos cirurgiões uma espécie de “visão de raio-x”. A tecnologia consegue fundir imagens digitalmente aprimoradas diretamente no microscópio de um dispositivo cirúrgico.

A tecnologia, chamada SyncAR, é uma parceria entre o Surgical Theatre, empresa especializada em tecnologia para saúde com sede em Los Angeles, e a empresa irlandesa de dispositivos médicos Medtronic.

Enquanto os cirurgiões normalmente precisam olhar para as telas para acessar os dados do paciente ou visualizarem recursos aprimorados – aumentando o tempo e dificultando o fluxo da cirurgia – este sistema permite o acesso a todas essas informações em um só lugar, sem desvios de atenção.

“Quando você tem as mãos em algo delicado, como o cérebro, cada minuto e segundo são importantes. Cada pequeno movimento é importante”, diz Moty Avisar, CEO e cofundador da Surgical Theatre. “Se você tiver que afastar a cabeça do microscópio para olhar um visor e depois voltar, isso atrapalha a continuidade da cirurgia.”

A tecnologia foi projetada especificamente para neurocirurgias complexas e inclui imagens 3D aumentadas – ou em camadas digitais – criadas com a tecnologia SyncAR do Surgical Theatre. Cada imagem mostra um detalhamento da parte específica do corpo que está sendo operada, construída por meio de exames anatômicos do paciente, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada.

Essas imagens são inseridas diretamente no dispositivo cirúrgico StealthStation S8, da Medtronic, um sistema de navegação equipado com um microscópio e uma tela. As imagens são completas e possuem marcações coloridas e imagens 3D precisas de artérias, vasos, nervos e muito outros detalhes que auxiliam os médicos.

O cirurgião então usa essa tecnologia para alternar entre o tecido biológico humano real e a varredura feita pela realidade aumentada, que funciona como um mapa: destacando áreas cruciais da anatomia de um paciente para que o cirurgião possa considerar o caminho mais eficiente para atingir uma área problemática, como um tumor cerebral, e visualize seus arredores.

Da realidade aumentada à visão de raio-x

Moty Avisar diz que a tecnologia já está apresentando aplicações benéficas. No caso da remoção de tumores, ele diz que a tecnologia “permite ao cirurgião não apenas saber o caminho mais eficiente, mas também ver além do tumor em si”.

“Ao permitir que eles vejam o lado escuro do tumor, eles são capazes de localizar nervos e vasos essenciais do outro lado e evitá-los”, diz ele. A tecnologia foi aprovada pelo FDA nos Estados Unidos e atualmente está sendo testada por cirurgiões do país, com planos de expansão para hospitais na Europa até o final do ano.

Thomas Steineke, neurocirurgião e presidente do Instituto de Neurociência da University Medical Center, do JFK, em Nova Jersey, é um desses médicos que está testando o dispositivo. Ele diz que a tecnologia pode ajudar os cirurgiões a reduzir o risco de erro humano e aumentar a eficiência.

“Imagine que você está conduzindo uma neurocirurgia minimamente invasiva e não tem uma boa visão. Você sem visão daquele ponto e precisa consultar a tela com frequência”, diz Steineke. “Com essa combinação de tecnologias, você pode entrar e sair da imagem real e de um mapa virtual e usar isso para abrir caminho em direção à patologia.”

Por ter todas as informações necessárias de forma rápida, ele diz que a tecnologia “melhora nossa confiança” – em última análise, torna-se melhor para os cirurgiões e também para os pacientes.

Realidade aumentada em benefício da saúde

Embora muitos de nós possamos estar familiarizados com a realidade aumentada no cotidiano – como videogames ou filtros nas redes sociais – essa tecnologia está se tornando cada vez mais comum na prática médica.

Um headset de realidade mista foi usado ativamente em uma cirurgia em tempo real pela primeira vez pelo Dr. Rafael Grossmann, que usou o Google Glass para transmitir ao vivo um procedimento em Londres em 2013.

Em 2016, empresas como a Proximie, com sede em Londres, haviam entrado no mercado, desenvolvendo um software de realidade aumentada para uso em laptops e tablets, que pode conectar cirurgiões em todo o mundo. Em 2017, a Microsoft demonstrou o potencial de seu headset de realidade mista, HoloLens, como assistente operacional na América Latina.

Em junho passado, o Dr. Timothy Witham da John Hopkins Medicine, em Baltimore, Maryland, conduziu o primeiro procedimento de neuro-navegação espinhal guiado por realidade aumentada.

Armado com um headset chamado “xvision”, desenvolvido pela startup Augmedics, Witham foi capaz de entrar e sair de monitores digitais aumentados em tempo real, usando apenas seu fone de ouvido, enquanto inseria seis parafusos na medula espinhal do paciente.

Witham já conduziu mais de 50 cirurgias usando o equipamento de realidade aumentada xvision. Ele diz que o dispositivo manteve uma taxa de eficiência de 98%, e o próximo passo será aumentar a familiaridade dos cirurgiões com essa tecnologia.

“Os sistemas tradicionais exigem que você desvie o olhar do paciente para uma tela remota, o que não é uma maneira natural ou intuitiva de fazer as coisas. Em procedimento complicados, qualquer erro pode ser catastrófico”, diz Witham.

“O que você quer é poder olhar e trabalhar no procedimento do paciente simultaneamente”, acrescenta.

O desejo por esse fluxo intuitivo inspirou toda uma rede de desenvolvimento de tecnologia de saúde. “O que estamos vendo aqui é um casamento dessas duas tecnologias: equipamento cirúrgico e realidades aumentadas”, diz Steineke. “E sua combinação é melhor do que os procedimentos separados.”

(Esse texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

Mais Recentes da CNN