Trend da caricatura: quais os riscos de compartilhar dados com as IAs?

Trend para gerar caricatura com IA expõe perigos de compartilhar dados com chatbots

Canaltech
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A trend de gerar uma caricatura com inteligência artificial (IA) dominou as redes sociais e trouxe discussões sobre privacidade. Mesmo com resultados fieis aos prompts, as imagens também são um sinal de que os chatbots podem saber muitas informações pessoais dos usuários.

A brincadeira nas redes pede para uma ferramenta gerar uma imagem com base no que a própria IA sabe sobre essa pessoa. Como resultado, muitas caricaturas podem mostrar locais de trabalho e outras informações privadas que vão além da aparência física de cada indivíduo, expondo brechas para golpes virtuais.

O que as IAs sabem sobre você

Por padrão, serviços de IA podem acessar o histórico de conversas e usar as interações para aperfeiçoar os modelos de linguagem de cada empresa. A recomendação é evitar compartilhar informações privadas nessas plataformas.

As ferramentas ainda possuem uma espécie de “memória na qual é possível considerar o contexto de conversas antigas para refinar ou personalizar respostas.

Por isso, ao participar de uma trend que pede para criar uma imagem “com tudo o que a IA sabe” sobre alguém, esses detalhes podem aparecer no resultado final.

O diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky, Fabio Assolini, comentou durante entrevista ao Podcast Canaltech, que muitas pessoas geraram as imagens e ficaram surpresas com a quantidade de informações expostas.

“Detalhes que as pessoas achavam que não eram públicos apareceram nas caricaturas, enquanto outras pessoas ainda corrigiram a IA para trazer informações corretas”, aponta.

Riscos de segurança

Outro problema surge ao compartilhar essas imagens em perfis públicos nas redes sociais. Qualquer pessoa pode ter acesso a dados sobre um indivíduo, incluindo detalhes de trabalho ou assuntos pessoais que normalmente não seriam expostos de forma tão ampla.

Assolini alerta para o risco de informações como essas caírem nas mãos erradas.

“Com tantos dados compartilhados e a foto gerada, você divulga ao mundo suas preferências, local de trabalho. Isso na mão dos fraudadores vale ouro, essas informações são valiosas para fazer um golpe personalizado. Quando você adere à moda e expõe dados pessoais que não eram públicos, isso tudo tem valor na mão de criminosos”, reforça.

Como aumentar a privacidade?

Existem algumas formas de participar das trends sem expor tantas informações. É possível usar fotos disponíveis em redes sociais, como a mesma usada no perfil, por exemplo.

Na hora de fazer o prompt, uma alternativa é inserir as próprias características no lugar de pedir para a IA “adivinhar” seus gostos preferidos. Usar perfis privados nas redes sociais ou limitar quem vê as publicações também restringe o acesso às fotos.

Por fim, vale lembrar que muitos chatbots oferecem um modo anônimo de interação, então os dados não ficam armazenados ou sequer são usados para treinamento.

*Texto escrito pelo repórter André Magalhães, do Canaltech, em colaboração com a CNN Brasil